<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680</id><updated>2012-01-20T09:14:38.968Z</updated><title type='text'>O meu hipericão</title><subtitle type='html'>Hypericum perfumatum.
Do latim hypericon. 
Milfurada, erva-de-são-joão.
Do Hipericão do Gerês diz-se ser muito bom para o fígado.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>47</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-5336152032474590461</id><published>2012-01-10T21:52:00.000Z</published><updated>2012-01-10T21:52:33.836Z</updated><title type='text'>Um cheirinho a fumo</title><content type='html'>Não deve haver mais nada para comentar. Pelo menos é o que se deduz da discussão sobre a maçonaria.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;Não há canal que não fale no assunto. Não há noticiário que não o refira e debata.&lt;br /&gt;À parte o facto de se tratar de um assunto fascinante, com muitos mistérios envolvidos, com muita história e pergaminhos, não sei praticamente nada da maçonaria. Estou em crer que a maior parte dos portugueses também não. E, no entanto, já há uma onda de encantamento pela ideia da perseguição.&lt;br /&gt;O cheiro bafiento que propõe que cada maçon, se for político, tenha de declarar a sua ligação à associação secreta, assusta-me porque traz consigo um outro odor: a fumo.&lt;br /&gt;Vem dessa exigência um bafo a fogueiras que me desagrada profundamente.&lt;br /&gt;Gosto muito mais do princípio maçon de cada um poder dizer de si que o é, mas não poder dizê-lo sobre mais ninguém. Este princípio — que é o contrário da denúncia — comporta respeito pela privacidade e pela liberdade do outro.&lt;br /&gt;Gostaria de pensar que o apoio que muitos cidadãos parecem dar à ideia da auto-revelação forçada teria a ver com o gosto pelos mistérios revelados. Mas temo que esteja muito longe disso. Temo, na verdade, que seja apenas mais uma caça às bruxas.&lt;br /&gt;Não me surpreende que haja elementos da maçonaria que sejam corruptos. Há corruptos também fora da maçonaria. Há corruptos por todo o lado, em todos os quadrantes políticos e em todos os credos e em todas as nacionalidades e cores de pele. Há-os, realmente, de todos os tipos e géneros. Faz parte da natureza humana.&lt;br /&gt;Não é por acaso que todas as sociedades se organizaram fazendo leis. Suspeito que desde os primórdios do tempo a nossa espécie sempre fez das suas. Para se ser parvo não é preciso usar avental. Para se ser esperto também não.&lt;br /&gt;Talvez fosse boa ideia pensar é se esta vontade de fogueirinhas não revela em nós, em geral, com ou sem aventais, um certo gostinho maldoso de perseguição.&lt;br /&gt;E a isso, assim, por princípio, não acho mesmo graça nenhuma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-5336152032474590461?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/5336152032474590461/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2012/01/um-cheirinho-fumo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/5336152032474590461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/5336152032474590461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2012/01/um-cheirinho-fumo.html' title='Um cheirinho a fumo'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-4831811380423661175</id><published>2012-01-06T22:35:00.000Z</published><updated>2012-01-06T22:35:49.128Z</updated><title type='text'>O anunciado fim de algumas relações</title><content type='html'>A minha geração não usa com facilidade o verbo amar. Lembro-me até de um texto de Miguel Esteves Cardoso, há cerca de vinte anos, sobre as possíveis razões para a sua escassa utilização. Miguel Esteves Cardoso dizia que era, obviamente, um embaraço fonético. É possível. Seja por que razão for, por pudor ou &amp;nbsp;falta de coragem, na minha geração, mesmo que se ame muito, a coisa é calada. Pode ser reconduzida para as cartas, para os ensaios literários, ou os ensaios poéticos nos desabafos entre amigos, mas não é confessada de ânimo leve.&lt;br /&gt;Talvez por isso, nós usamos com largueza de espectro o verbo gostar. Naturalmente, gostar de. Nós gostamos dos pais, dos filhos, dos amigos. E até dos amantes. Daqueles a quem amamos de modo amplo — físico e anímico. Mas... discretamente dizemos "gosto de ti".&lt;br /&gt;As novas gerações, mais ligeiras no verbo, passaram a amar. Mesmo que, em alguns casos, amem comer pizza ou amem sair à noite (nós, apesar da nossa contenção amorosa, somos nestes casos mais dados ao exagero da adoração: adoramos um bom bife ou adoramos aquele lugar).&lt;br /&gt;O amor, mais generalizado, fez cair em desuso o verbo gostar. E à conta disso, à conta da escassa familiaridade com esse vocábulo, as novas gerações estão a deixar progressivamente de lhe reconhecer as ligações amorosas. No caso, com a preposição "de".&lt;br /&gt;É que gostar é sempre com "de". Gostamos &lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;de&lt;/span&gt; peixe. Gostamos &lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;de&lt;/span&gt; dias de sol ou gostamos &lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;de&lt;/span&gt; dias de chuva. Eu gosto especialmente &lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;do&lt;/span&gt; Inverno. Fulano faz aquilo &lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;DE&lt;/span&gt; que gosta. Etc.&lt;br /&gt;Mas, nos últimos anos, a preposição &lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;de&lt;/span&gt; tem sido muito ignorada nesta relação. O verbo mantém-se, apesar de menorizado, mas a preposição, coitada, foi votada ao ostracismo. É um caso triste. E galopante.&lt;br /&gt;Ainda agora acabei de ouvir um anúncio do MEO, com um coro infantil que canta (na sua graça de enfiar a murro a letra na música, como todos os tresloucados anúncios a que os rapazes Gato Fedorento nos habituaram) "os programas e os filmes que gostas"...&lt;br /&gt;Eu fiquei à espera. Que gostas... de quê? De ver? De gravar? De ver muitas vezes? De ignorar? Nada. O verbo ficou sozinho, pairando num limbo, uma espécie de purgatório das relações com fim anunciado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu fiquei a pensar como eu gostava de ignorar estas coisas e não ficar a remoer estas coisas.&lt;br /&gt;Gostar de ignorar é uma coisa que eu gostava mesmo muito de conseguir nestes casos. Mas não consigo. Fico presa àquilo. Não largo.&lt;br /&gt;Eu sei que aqueles anúncios são brincadeiras. Mas tinham mesmo de passar um mau exemplo de português? E logo aos putos? Era escusado. Era tão escusado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era quase tão escusado como outro escusado anúncio, desta vez da Zon, que agora até já tem cartazes na rua (não vá alguém ter deixado aquela treta passar despercebida), com aquele trocadilho brejeiro tão giro, tão moderno, tão actual, tão atento à realidade de as mulheres serem grandes consumidoras... e pagadoras... que aponta uma Boa Zon...&lt;br /&gt;(Tão giro!!! Uau! Quem terá sido a cabeça privilegiada que pensou com tanta qualidade?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim, caros amigos, que as relações começam a azedar. E acabam. Temo que a relação do gostar com o de tenha mesmo os dias contados. Assim como a minha relação com a Zon. Para que aquela se salve, não sei que mais sugerir, para além do velho cuidado com a língua. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, para que esta se salve, até tenho uma sugestão. Sugiro que façam mais uma versão. Uma coisa com pronúncia do Porto, com um gajo bom tipo o da hora Coca Cola Light, e em que uma mulher mais velha (já agora façamos uma graçola até ao fim) olhe para ele com ar de quem aprecia um bombom e diga: "é um bom zon"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, quem sabe, talvez eu me reconcilei com a Zon. Até talvez passe a gostar ...'ela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-4831811380423661175?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/4831811380423661175/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2012/01/o-anunciado-fim-de-algumas-relacoes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/4831811380423661175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/4831811380423661175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2012/01/o-anunciado-fim-de-algumas-relacoes.html' title='O anunciado fim de algumas relações'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-6209589581900963148</id><published>2011-12-29T21:31:00.001Z</published><updated>2011-12-29T23:43:24.235Z</updated><title type='text'>A realidade como ponto de vista</title><content type='html'>Em vésperas de fim de ano, venho finalmente cumprir uma promessa aqui deixada há uns meses: a de que haveria de me ocupar do valor do optimismo. É hoje. Antes que o ano acabe e assim a modos que à laia de manifesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira premissa. Particular afirmativa: sou uma optimista nata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os últimos tempos têm sido muito bons demonstradores de que o optimismo não é um estado de aparvalhamento, mas uma maneira reactiva de encarar os problemas e de tentar resolvê-los.&lt;br /&gt;Como optimista nata que já me confessei, sempre me surpreendeu a leviandade com que os pessimistas se permitiam denegrir os optimistas definindo-os não poucas vezes como "pessimistas mal informados". Com tal definição arrumavam os optimistas na prateleira dos "líricos" (um adjectivo inadequado, já que poucos optimistas serão cumulativamente dados à lírica), ou seja no lugar menos nobre dos seres pouco dotados para a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda premissa. Tendencialmente universal afirmativa: todos os optimistas são tendencialmente mais criativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta segunda premissa era necessária para chegar a este ponto: a realidade é feita hoje dos sonhos de ontem. E quem os sonhou não foram, certamente, os pessimistas, &amp;nbsp;mais devotados a procurar o primeiro muro de lamentações que encontram para carpir as suas (muitas) mágoas do que a projectar o futuro e a tecer os seus mais benévolos contornos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram criaturas optimistas as que, porventura sentadas numa colina, vendo calhaus rolar encosta abaixo pensaram na possibilidade (certamente divertida, certamente dotada de algum risco) de usar aquela energia e velocidade para criar um transporte. Assim nasceu a roda, enquanto por certo nalguma caverna escura um pessimista se queixava das costas e mergulhava os seus dias na escuridão de ainda nem sequer ter um muro para se lamentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram criaturas optimistas aquelas que, contra todos os medos e monstros anunciados, contra o fim do mar e a vertigem dos abismos, apostaram na teimosa ventura de chegar à Índia por mar, já que a rota terrestre era perigosa, economicamente pesada e muito demorada.&lt;br /&gt;É claro — já os ouço... — que o interesse económico arrastou para o mar muitos navios e que muitos não voltaram. Mas houve quem teimasse... mesmo que mais por motivos financeiros do que por paixão aventureira. O que, afinal, comprova que nem todos os optimistas estão destituídos de pragmatismo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram também criaturas optimistas as que, vendo tantos ao longo dos séculos suspirar pela lua, decidiram tomar nas mãos as rédeas desse sonho e empreender a viagem até lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vale a pena continuar, acho que já passei a mensagem. A história da humanidade, sobretudo no que diz respeito à arte, ao pensamento, à ciência, está repleta do triunfo de um modelo que é aquele que os pessimistas gostam de reclamar como seu. Porém, se todos fôssemos como eles ainda estaríamos sentados na tal hipotética colina, vendo os calhaus rolar pela encosta sem usar a cabeça nem sonhar o que quer que fosse.&lt;br /&gt;Os optimistas são, meus amigos, os grandes feiticeiros do futuro. São os ferreiros, os que roubaram o fogo aos deuses e forjaram o nosso futuro.&lt;br /&gt;Os optimistas são aqueles que perante um obstáculo vão à procura de uma solução. Não se sentam de cabeça nas mãos, de olhar perdido no vazio, a chamar pela mamã e a maldizer a sua sorte. Esse é o papel dos pessimistas. Aqueles para quem um muro apenas serve para ameaçar cabeçadas na sua direcção.&lt;br /&gt;Por isso me sinto feliz por esta capacidade de ver o copo sempre meio cheio. Por isso cada vez tenho menos paciência para aturar as piadinhas dos pessimistas e a sua suposta clarividência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tempos, dizia-me um pessimista inveterado (no seu discurso habitual) que sempre tinha esperado o pior da vida. Dizia-o com ar grave e ponderado, como se as palavras se tornassem mais verdadeiras e sérias por isso. Depois do seu testamento de tristeza, eu disse-lhe que não percebia essa maneira de ver o mundo. Porque eu, acrescentei, sempre fui uma optimista nata. Ele olhou-me na beira da incredulidade, com um ar de desconfiança face à minha evidente tolice. Perguntei-lhe simplesmente: e o que ganhou com isso? Foi mais feliz? Realizou mais coisas? Conseguiu mais o que queria?&lt;br /&gt;Devolveu-me um olhar de perplexidade. Não, de facto, não tinha conseguido mais. Apenas se limitara a criar obstáculos no seu próprio caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como qualquer optimista, eu quero olhar para o mundo e vê-lo como desafio, não como ameaça. Não se iludam: não é que não tenha quebras de confiança (essas estão sempre lá, a cada vez que a realidade se torna mais difícil — o que não é difícil de acontecer). Não é que não tenha medos, inseguranças, calafrios, tristezas, saudades, inaptidões, incapacidades várias... mas o mundo é fantástico e, afinal, como agnóstica que sou, estou também convencida de que só se vive uma vez, e que essa fantástica oportunidade não deve nem pode ser desperdiçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A extraordinária Sofia Loren deu uma vez um exemplo do que faz quando se depara com um obstáculo. Ela usa também a imagem do muro. Quando lhe surge um problema ao caminho, ela atira o coração para o outro lado. Como não pode viver sem coração, tem de o recuperar. Faz tudo por isso. No momento em que o recupera, acabou de superar o obstáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michael Caine conta também que, quando era um jovem actor, houve um dia em que, numa filmagem, devia abrir uma porta e entrar numa sala. Mas, durante a filmagem, houve uma cadeira que caiu e impediu que a porta se abrisse tão facilmente como devia. Perante a frustração do jovem actor, um colega mais velho deu-lhe um conselho a que Michael Caine recorre até hoje: "usa a dificuldade; se for um drama, agarra na cadeira e atira-a para longe. Se for uma comédia, tropeça na cadeira."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusão:&lt;br /&gt;Tudo isto para dizer que a realidade também é um ponto de vista. Mais do que uma entidade absoluta que se ergue contra nós e cuja existência nos é imposta sem capacidade de reacção, a realidade é sobretudo aquilo que fazemos dela.&lt;br /&gt;Num país que tanto gosta de chorar o seu triste fado, que sempre gostou de menosprezar os optimistas, tem sido com algum sentimento de amargo triunfo que tenho ouvido dizer, ultimamente, que não é com discursos terroristas que se motivam as pessoas. Tenho pena que tenha sido necessário levarem com tanta &amp;nbsp;negatividade pela frente para perceberem aquilo que se mete pelos olhos dentro. Não é com palavras de derrota que se levam equipas à vitória. Não é a sugerir aos cidadãos que abandonem o navio (ou, no caso, que emigrem) que se recupera um país.&lt;br /&gt;Mas também não é a achar simplesmente que a culpa é deles (uma entidade abstracta que nunca nos engloba) que vamos sair de qualquer buraco. O que importa agora é olhar atentamente para a realidade. E ver o que podemos e sabemos fazer com ela. &lt;br /&gt;Porque é muito mais divertido do que ficar a penar. E porque é a coisa realista a fazer. Os pessimistas que fiquem lá virados para o seu murinho. Os nossos corações terão de ser mais altos do que nós. Como sempre que se está vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz Ano Novo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-6209589581900963148?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/6209589581900963148/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2011/12/realidade-como-ponto-de-vista.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/6209589581900963148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/6209589581900963148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2011/12/realidade-como-ponto-de-vista.html' title='A realidade como ponto de vista'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-7967718007091842506</id><published>2011-12-02T02:30:00.012Z</published><updated>2011-12-02T13:46:43.843Z</updated><title type='text'>Eles é que são</title><content type='html'>Hoje voltei a ver a tal peça da revista Sábado em que são entrevistados 100 universitários portugueses.&lt;br /&gt;É realmente triste o nível de desinformação e de ignorância que, tão ligeiramente, demonstram. A mais comum desculpa é de não terem aprendido o que quer que seja no 12º ano. Isso aliado ao clássico de qualquer assunto sobre o qual sejam abordados — o de não ser aquilo que verdadeiramente os interessa — dá o resultado que todos conhecemos.&lt;br /&gt;Um comentário mais chocado de um amigo do facebook alertou-me também para a intolerância que tantos de nós sentimos perante tal grau de desconhecimento das coisas do mundo. Na verdade, muita gente ficou chocada. Ainda bem. Os que se chocam mostram, além do mais, uma cultura mais vasta (também não é difícil, posso acrescentar com maldade) do que a dos entrevistados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que, confrontada com algumas respostas, eu também fiquei em transe. E, num acesso de vaidade intelectual, quis confirmar que o meu filho de 12 anos tinha herdado parte do meu saber e do dos que o rodeiam. Qual é a capital de Itália? E a dos Estados Unidos? Roma e Washington D.C. foram as respostas. Fiquei mais tranquila. E quem pintou a Mona Lisa? Ele não sabia. Expliquei que tinha sido o Leonardo da Vinci. Espero que tenha lá ficado. Mas ainda falta mostrar-lhe a imagem. As duas, aliás. Da pintura e do pintor. Já agora...&lt;br /&gt;Perguntei se ele sabia a fórmula química da água. Ora, H2O (não consigo pôr o 2 mais pequeno nem mais para baixo, mas sei que é assim que é devido; atenção: não sou uma universitária do calibre do deles...). Fiz mais perguntas. A coisa não correu mal. Afinal, são 12 anos. Fiquei mais tranquila e sobretudo como mãe. E sobretudo com o pai. E sobretudo com os avós. E com os tios. E com os amigos. E com os professores. E com os programas que ele vê na televisão. E com os livros que ele vai lendo. E as exposições que vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja: fiquei outra vez a pensar que a democratização do ensino foi importante mas a pena em relação aos pobrezinhos e a impossibilidade de chumbar alunos que não soubessem o mínimo foram variáveis de grande vigor nesta desagradável equação.&lt;br /&gt;Lembremo-nos: não é o mesmo nascer num meio em que é relevante o gosto da leitura, da música, da arte, da ciência e da cultura em geral, em que se tem acesso a isso e gosto por isso, ou nascer num meio em que isso são coisas acessórias, manias de uma minoria que na realidade não precisa de trabalhar.&lt;br /&gt;Intelectual (apenas um adjectivo que descreve alguém que trabalha com o intelecto) continua a ser visto como um insulto. É normalmente usado com o sufixo "oide", dando o adjectivo "intelectualóide", ou seja, &lt;i&gt;alguém com a mania&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;Do mesmo modo, também um escritor, artista plástico, um músico, um escritor, um cientista são vistos como curiosidades, uma espécie de protozoários, uns tipos esquisitos que só fazem o que querem e ainda se divertem com isso, exemplos típicos de gente que, no fim de contas, não faz nada de jeito (se soubessem fazer alguma coisa, trabalhavam — ou seja, produziam bem materiais).&lt;br /&gt;Não é por acaso que se tenta sempre pedir textos de borla, concertos de borla, quadros ou outras "miudezas" de borla ou até conferências de borla (quando não há que pagar já é uma sorte!). Porquê? Porque eles fazem aquilo depressa e porque ainda se divertem, por cima. E, claro, quando se reclama, a explicação final: porque é bom para o currículo. Nunca ninguém usa tais argumentos com outras profissões, nem pede tais coisas a gente como canalizadores, electricistas, pintores de paredes, serralheiros, carpinteiros, pedreiros, padeiros, e por aí fora, porque o resultado ficaria à vista: a obra por fazer e, como diria o Almada, "uma colecção de manguitos que daria até ao ano 2000". Bem, para actualizarmos a coisa, até voltarmos a ter subsídios de férias e de Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, amigos: em Portugal, a cultura — aquela que quando não existe dá azo a respostas como as que ouvimos dos universitários — é coisa de escasso interesse para a maioria da população. E não é de agora. A cultura é coisa para alguns. Coisa de gente esquisita. Gente com a mania. Ou com várias manias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, a maior parte dos universitários de hoje é oriunda de famílias em cujas casas não há livros; de famílias que não vão a exposições nem a concertos (enfim, que injusta que estou a ser, esses são os que enchem os pavilhões atlânticos com a soluçar com as tiradas românticas do Tony e dos demais Carreiras); de pessoas que acham que arte é uma palavra usada por cagões que não sabem o que andam a fazer ou por outros cagões que escrevem umas merdas incompreensíveis sobre os que os primeiros fazem (aí, tenho de dizer que às vezes é verdade... há por aí cada texto!!, mas sobre isto falaremos noutra ocasião, que o assunto puxa-me pela língua) e que o que é mesmo fixe é ver o que a RTP1 passa para fingir que faz serviço público, competindo com algumas pepineiras do privado e mostrando os dramas dos cantores que querem ser cantores no lugar dos cantores (uma versão arrevesada do Grão Vizir Iznogoud transposta para o mundo musical) e de outras barbaridades mais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa gente não sabe nem quer saber quais são as capitais dos países, os autores de livros nem de quadros, &amp;nbsp;e desculpa-se sempre de não saber. Não com a sua própria falta de curiosidade pelo mundo, é claro; mas com o facto de ninguém lhes ter dito nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu não aprendi isso no 12º ano" ou "eu não sou católica" ou "religião não é o meu forte" para responder à pergunta sobre o autor do "Evangelho Segundo Jesus Cristo" (já agora, um ateu confesso), ou outras desculpas do género são respostas estúpidas e cobardes. Valia mais dizer: "Não sei. Não me interesso. Quero que o mundo se lixe." E pronto. E tomar nas mãos as rédeas da sua vida e ser coerente e borrifar na universidade. Porque de facto, mesmo com desemprego, não é também por acaso que muitos destes depois vão parar às caixas de supermercados.&lt;br /&gt;Se calhar, em vez de andarem a fazer praxes estúpidas, humilhantes e vazias de ideias e de interesse, alguém devia explicar a essas crianças que a Universidade tem esse nome porque o projecto medieval inicial apostava em dar aos seus alunos um saber "universal".&lt;br /&gt;Mas o problema volta ao início: a questão é que ninguém lhes explica nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriu-se a escola a todos. Todos têm de lá estar, quer gostem quer não. E por isso mesmo, ninguém gosta. Acabou-se com o ensino comercial, com o ensino industrial. O sonho do 25 de Abril foi lindíssimo mas foi, pedagogicamente, o equivalente a um projecto de uma criança de 5 anos. O que o século XIX defendeu esforçadamente e implementou — um ensino que preparasse bem os operários, um ensino que não fosse só dirigido às classes e aos projectos mais elitistas, mas que instruísse, cultivasse e preparasse melhor, dignificando, os operários — e que se conseguiu durante algumas décadas, acabou às mãos de pedagogos ingénuos e ignorantes, sob o sonho tirano de que todos deviam ir para o Liceu e todos deviam ser doutores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, sabe-se que há diversos tipos de inteligência. Há inteligências que se revelam no traço, no movimento, na música, na palavra, nos números, nas mãos.&lt;br /&gt;Sabe-se que um bom marceneiro não é, necessariamente, menos inteligente, menos feliz ou menos capaz de enfrentar a vida do que um doutor. Aliás, a avaliar pelos resultados destes pré-doutores, o marceneiro está de parabéns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a escola, com a excepção dos novos cursos profissionais ainda muito mal vistos pelos pais e pelo público em geral, embora já com alguns resultados bastante interessantes, continua a apostar num ensino que nada estimula a criatividade, o pensamento, a diversidade.&lt;br /&gt;Ao não estimular, condiciona. E os que se sentem excluídos — e são muitos — recusam o saber. Uns porque a escola é de menos. Outros, porque tudo é de mais; porque a única coisa que lhes interessa é o aparato. É o futuro canudo. Nada mais. A esses, e sobretudo quando oriundos de famílias pouco interessadas, une-os um mesmo lema: o que é que isso contribui para a minha felicidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui devo fazer uma ressalva: algumas dessas "crianças" vêm de famílias que têm muito dinheiro e muito boas vidas, mas estão-se nas tintas para o saber. Do mesmo modo que outras que não têm nada disso. O desinteresse não tem só a ver com a falta de dinheiro. Literacia e mundividência não têm a ver com dinheiro, embora este ajude. Têm a ver com curiosidade pelo mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E voltamos então ao nosso choque inicial.&lt;br /&gt;Como são ignorantes esses universitários!! Que horror!&lt;br /&gt;Sim, são ignorantes. Sim, é chocante. Mas não vale a pena pôr a mão nos olhos e fazer de conta que isto não tem nada a ver connosco. A escola é parte da nossa sociedade. Isto, este desinteresse, esta incultura, somos nós. É o resultado de não querermos fazer da escola projectos de excelência. Experimentem falar nisto numa reunião de turma com os pais e vejam o que a maioria quer: boas notas ou apenas médias notas; desde que o filho passe e despache a escola.&lt;br /&gt;Falar em excelência, em Portugal, é ser elitista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não há nada de mal em ser-se elitista. Ser elitista significa que se quer dar aos outros e tirar dos outros o melhor. Não o assim-assim. Não o medíocre. Não o "sei lá!"&lt;br /&gt;Só que para o conseguir há que decidir fazê-lo. Não nos contentarmos com o "assim já está bom". Não nos contentarmos em ler um livro apenas quando chegamos às aulas. Em só fazer o que o professor nos pede. Ou em só aceitar dos alunos aquilo que eu lhe peço e desconfiar quando um aluno toma a iniciativa de fazer um trabalho que não foi pedido. Não chegaremos lá enquanto a escola não tiver espaço para o diálogo, enquanto os alunos não forem convocados a apresentar os seus trabalhos, as suas ideias, as suas dúvidas, as suas descobertas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escola devia ser um espaço de aprendizagem.&amp;nbsp;Tanto para alunos como para professores.&amp;nbsp;Isso signfica que o erro devia ser visto como um sinal de que a aprendizagem está em processo. Como um indicador do que é preciso melhorar. Mas é visto como um indicador de falhanço. A ironia, o descaso, seguem-se logicamente. Ninguém gosta de ser humilhado. Se um sistema de ensino não implementa a curiosidade, a partilha de conhecimentos, a discussão das dúvidas, está a abrir a porta ao desinteresse. Para um ignorante assumir a ignorância como valor é preciso que algo de muito errado se passe com o sistema que devia ter formado um espírito curioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto é uma bola de neve.&lt;br /&gt;Ninguém é inocente neste processo. Eles não são. Mas as gerações que os antecederam e que prepararam este terreno não têm por que ficar a rir ou a escarnecer.&lt;br /&gt;Esta vergonha é o rosto do nosso falhanço. De todos.&lt;br /&gt;Ou seja, quando dizemos "eles é que são" é caso para responder a nós mesmos: "quem diz é quem é".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-7967718007091842506?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/7967718007091842506/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2011/12/eles-e-que-sao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/7967718007091842506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/7967718007091842506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2011/12/eles-e-que-sao.html' title='Eles é que são'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-9146111648822950026</id><published>2011-10-13T23:29:00.000+01:00</published><updated>2011-10-13T23:29:59.319+01:00</updated><title type='text'>Roll over, play dead!</title><content type='html'>&lt;div&gt;Passos Coelho é um menino servil. Sem espinha. Não consigo por isso deixar de o ver como um cão bem treinado.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Merkl diz-lhe:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Passos: roll over. Play dead.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E ele rebola. Faz de morto. E orgulha-se. E diz mesmo: a Grécia não faz de morto tão bem como eu, pois não, mamã? Nós não somos como os gregos...&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pergunta: não há por aí um gato que, à Fialho de Almeida, afie as unhas e lhe arranhe o servilismo todo e nos limpe desta humilhação?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-9146111648822950026?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/9146111648822950026/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2011/10/roll-over-play-dead.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/9146111648822950026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/9146111648822950026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2011/10/roll-over-play-dead.html' title='Roll over, play dead!'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-776754582105669007</id><published>2011-09-16T10:52:00.002+01:00</published><updated>2011-09-16T19:34:28.999+01:00</updated><title type='text'>O cansaço</title><content type='html'>Ainda hei-de escrever sobre o optimismo. Para explicar porque é que me irrita tanto quando gente sem força para nada prefere diminuir os optimistas referindo-se-lhes como pessimistas não informados. Mas agora venho só fazer um desabafo e lançar uma suspeição.&lt;br /&gt;Primeiro: estou cansada (tão, tão cansada!) de políticos que se queixam. Não que eles sejam piores do que nós. Mas apenas porque eles são o nosso reflexo, como povo, ampliado pelas múltiplas câmaras de televisão e pelo espaço que têm para não apenas decidir das nossas vidas como entrar nelas todos os dias, a todas as horas, com as mesmas mensagens catastrofistas. Isto está mau, isto está mau. Sabemos isso. Digam-nos que projecto têm para que isto vá para a frente, galvanizem-nos para que sintamos que ter o ânimo de fazer alguma coisa não é estar sempre a dar murros em pontas de faca. Gostava tanto que pelo menos um dos nossos políticos tivesse a lucidez do Obama que, face à ameaça do furacão Irene, avisou os americanos de que deviam preparar-se para o pior e esperar o melhor. Isto é realismo, é consciência de que das nossas acções depende o modo como a realidade nos atinge e de que mesmo contra a fúria dos elementos há possibilidade de resposta. &lt;br /&gt;Entre nós, pelo contrário, temos um Presidente da República que dá eco à voz mais miserabilista dos mais miseráveis entre nós, dos que se refugiam na lamúria, dos que desistem porque nada há a fazer. Eu tenho plena consciência de que há situações em que se perde mais do que se pode perder. Mas a um líder cabe indicar um caminho melhor. Há responsabilidades históricas que não podem ser escamoteadas. Imaginemos que o marquês de Pombal (eu sei que ele era despótico, mas também era "iluminado", no sentido político e filosófico do termo) se tinha deitado na cama a lamuriar-se com o terramoto de 1755. O que teria acontecido? O que teria sido ampliado de desgraça em todo o mal que já tinha acontecido? &lt;br /&gt;Em momentos de crise, um líder é mais importante do que nunca, alguém que tome a responsabilidade de guiar as energias dos outros e de as conduzir ao porto que a todos beneficie. Não há aqui nenhuma proposta de grande timoneiro, nem de líder espiritual; antes de alguém com sentido de missão, de projecto, de vontade positiva de sair da lama. Alguém que nos motive a que cada um de nós seja criativo, aplicado, determinado em fazer melhor por si e pelo país. Alguém que saiba convocar os melhores em cada área, que saiba ouvir (não é armar-se em catavento, a fazer de bonzinho e a paralisar tudo em seguida) e saiba gerir.&lt;br /&gt;Em Portugal, não existem políticos com estas características ou se existem por favor que se acusem: precisamos de vozes dessas. No governo estão os apagados, os desanimadores (independentemente de estes tempos serem graves e de serem necessárias medidas drásticas), aqueles que não nos explicam que raio de projecto têm, que raio lhes passa na cabeça. Aqueles que nos tratam como imbecis. Claro que nós merecemos. Porque eles são o nosso reflexo. O reflexo de um povo que vai conseguindo as coisas pela mão estendida, pelo chico-espertismo, pela cunha e não pelo mérito. O discurso é de sempre, mas estava mesmo na altura de isto mudar, ou não? Mas porque continuamos a não exigir qualidade, porque continuamos a ser complacentes com a mediocridade, porque continuamos a pensar que isto sempre foi isso e que não há volta a dar é que estamos como estamos. Os políticos que temos, quase todos sem carreira fora dos partidos, quase todos sem mérito profissional nem brilhantismo, nem necessidade de provas dadas a não ser a capacidade de estucha de subir nos organismos partidários, são o reflexo puro e duro do nosso deixa andar. &lt;br /&gt;Por isso mesmo, nunca poderíamos ter um presidente da República como Obama. Porque, para todos os efeitos, e à parte mesmo a dimensão da nação em questão, os Estados Unidos vivem no mito de serem a terra das oportunidades; para um americano e, mesmo contra quaisquer evidências, o que está no horizonte é que se trabalhar, se se aplicar, há-de haver um retorno. O sucesso é uma promessa. Mas uma promessa que implica dedicação pessoal. Sacrífício, capacidade de resiliência. Inovação. Até alegria!! Porque é aí que se chega quando nos auto-superamos.&lt;br /&gt;Entre nós, é ao contrário. O que todos temos garantido é a lástima, a impotência. O queixume como arma que conduz não ao sucesso, mas à piedadezinha. A incapacidade de tomarmos o destino nas nossas mãos. Qualquer um de nós que ache o contrário e queira teimar em fazer coisas gasta mais tempo e energia a ultrapassar obstáculos que os outros lhe colocam (iiiih, nem penses nisso; deixa-te de ideias; isso é muito difícil; isso nunca se fez; isto foi sempre assim... e etc.) do que a fazer realmente as coisas. De todas as vezes que me meti a fazer alguma coisa, percebi isso com toda a clareza. As tarefas não são sobre-humanas (falo por mim, na minha área), fazem-se até com razoável simplicidade e, na maior parte das vezes, com prazer. Aliás, aprendi com o Rilke de que a auto-superação, a dificuldade, é uma droga&amp;nbsp;maravilhosa. Conseguir ultrapassar obstáculos&amp;nbsp;é uma coisa do caraças. Não sei porque insistem&amp;nbsp;em nos dizer o contrário. E por isso, entre nós,&amp;nbsp;o que é sobre-humano é o esforço enorme de conseguir não ligar aos arautos da desgraça. Por mim, optei por não lhes dar tempo de antena. Não quero saber. Eu faço. Eles que fiquem sentados com as suas impossibilidades. &lt;br /&gt;Mas, neste momento, o que me irrita, é que o negativismo geral está a chegar ao limite. E está já a atingir-me. Porque a capacidade de destruir a auto-estima e a auto-confiança das pessoas está a tornar os obstáculos coisas monstruosas. Estamos todos a cair neste poço sem fundo do "faça eu o que fizer, nunca fará qualquer diferença". &lt;br /&gt;Por favor: não acreditem nisso. Não é verdade. Nós, os portugueses que fazem coisas, nós, os teimosos, os chatos, os optimistas, os que sabem que das suas mãos e das suas cabeças nasce o presente e o futuro, também temos direito à vida. Este país também é nosso! Chega!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta primeira parte foi o meu desabafo. Agora, chegámos à minha suspeição.&lt;br /&gt;A ela é: a quem interessa, realmente, fazer com que todo um povo desista de si mesmo? A quem interessa esta política da terra queimada e do terror? Do desânimo? Acham mesmo que um tipo deprimido vai produzir mais e melhor? &lt;br /&gt;Nem vou aqui comentar medidas que tresandam a desastre no que diz respeito à economia. Só quero inquirir no que toca à capacidade de motivação. Acham mesmo que esta campanha de susto contínuo, sem qualquer contrapartida de projecto, para nos enquadrar o esforço e nos fazer antecipar o sucesso, vai conduzir a mais alguma coisa do que a depressão generalizada? &lt;br /&gt;Think again...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-776754582105669007?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/776754582105669007/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2011/09/o-cansaco.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/776754582105669007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/776754582105669007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2011/09/o-cansaco.html' title='O cansaço'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-1814388518436367009</id><published>2011-08-24T22:49:00.000+01:00</published><updated>2011-08-24T22:49:34.179+01:00</updated><title type='text'>Do uso abusivo do plural</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Helvetica Neue', Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;          &lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;o:OfficeDocumentSettings&gt;   &lt;o:AllowPNG/&gt;  &lt;/o:OfficeDocumentSettings&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:WordDocument&gt;   &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:TrackMoves&gt;false&lt;/w:TrackMoves&gt;   &lt;w:TrackFormatting/&gt;   &lt;w:PunctuationKerning/&gt;   &lt;w:DrawingGridHorizontalSpacing&gt;18 pt&lt;/w:DrawingGridHorizontalSpacing&gt;   &lt;w:DrawingGridVerticalSpacing&gt;18 pt&lt;/w:DrawingGridVerticalSpacing&gt;   &lt;w:DisplayHorizontalDrawingGridEvery&gt;0&lt;/w:DisplayHorizontalDrawingGridEvery&gt;   &lt;w:DisplayVerticalDrawingGridEvery&gt;0&lt;/w:DisplayVerticalDrawingGridEvery&gt;   &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;   &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:Compatibility&gt;    &lt;w:BreakWrappedTables/&gt; 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mso-bidi-font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;; mso-bidi-font-size: 16.0pt;"&gt;Sob esse singelo título apresentaram-se em seguida algumas perplexidades sentidas pelo — como lhe hei-de chamar?... enfim — autor do texto. Dizia ele:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-family: Times; mso-bidi-font-size: 16.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: #262626; font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;; mso-bidi-font-size: 16.0pt;"&gt;&lt;i&gt;"O Diário de Notícias de 9 de Agosto titulava em manchete: ‘Violência doméstica leva polícia a investigar ex-deputado e marido’. Convenhamos que era um título muito pouco compreensível. Apetecia dizer: «Importa-se de repetir?». Mas por isso mesmo fui ler a notícia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: #262626; font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;; mso-bidi-font-size: 16.0pt;"&gt;&lt;i&gt;Os títulos incompreensíveis têm muitas vezes essa vantagem: levam os leitores a ler as notícias, na expectativa de perceberem do que se trata."&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;; mso-bidi-font-size: 16.0pt;"&gt;Ficava-se, portanto, a saber que o autor tinha achado incompreensível algo tão evidente e simples como "ex-deputado e marido". No entanto, logo o assunto era explanado. Para o autor do texto, a complexidade do título vinha da "mesmidade" do género no casamento. E logo o texto prosseguia (ia dizer evoluía, mas a palavra seria desadequada neste contexto) para considerandos sobre a justeza de se poder pensar — e, logo, dizer — que um casal pode ser composto por dois maridos (ou por duas mulheres).&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-family: Times; mso-bidi-font-size: 16.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;; mso-bidi-font-size: 16.0pt;"&gt;O tom de estranheza continuava, adiantando uma nota, que o autor pretendia jocosa, para sublinhar a sua discordância em relação ao facto de duas pessoas do mesmo sexo poderem casar, já que isso causa, afirmava ele a dado passo, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;problemas semânticos aos jornalistas&lt;/i&gt;.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;; mso-bidi-font-size: 16.0pt;"&gt;Não vou perder-me em considerações sobre esta tão nobre solidariedade profissional — nem notar, sequer, que a semântica como outras realidades da língua portuguesa, tem sido tão vilipendiada na imprensa nos últimos anos. Vou apenas dedicar-me a expressar a minha perplexidade perante as desculpas que se arranjam para meter a colherada na vida dos outros e, infelizmente, sempre pela via mais estúpida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;; mso-bidi-font-size: 16.0pt;"&gt;A José António Saraiva o que lhe desagrada e choca não é que tenha havido violência (embora faça uma ressalva final à tristeza que isso implica como termo de uma relação). Mas o que inferimos é que, isso, afinal, é um pormenor que, na verdade, ele compreende sobretudo se for infligida a uma mulher (já que ele esperava que fosse a &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;mulher&lt;/i&gt; do ex-deputado a fazer queixa..). Não. O que lhe complica com o sistema é o facto de haver violência conjugal com o acrescido “problema” semântico. Dois maridos? À parte o risinho de mofo que cita o romance de Jorge Amado para dizer que, aí sim, havia dois maridos &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;mas&lt;/i&gt; uma mulher no meio (à laia de fatia de fiambre) ele justifica o seu embaraço com a tradição. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;; mso-bidi-font-size: 16.0pt;"&gt;Sem esse nobre esteio, definham os nossos pobres espíritos. Ou os nossos pobres cérebros. O (chamemos-lhe assim) &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;raciocínio&lt;/i&gt; expressa-se do seguinte modo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: #262626; font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;“Claro que dois homens podem viver juntos – sejam irmãos, amigos, companheiros ou sócios em qualquer coisa. Como duas mulheres podem viver juntas, por variadíssimas razões. E é justo que as pessoas que vivem juntas tenham certos direitos em comum. Mas, para isso, não é necessário pôr em causa as nossas referências nem baralhar os nossos pobres espíritos.” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: #262626; font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;Sublinho, logicamente, a última frase: “não é necessário pôr em causa as nossas referências nem baralhar os nossos pobres espíritos.” E é aqui que entra a minha própria dificuldade semântica. Esse nós, a quem ele se refere, é &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;quem&lt;/i&gt;? Ele e os amigos dele? Os jornalistas em geral? Os portugueses? O colectivo das células cerebrais dele? (Seguramente não mais de duas, a avaliar pela qualidade da sua lógica). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: #262626; font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;Ora, a menos que se trate realmente apenas dele e dos seus amigos (grupo que compreendo que ele conheça e pelo qual possa eventualmente falar) ou a menos que se trate do tal colectivo celular pessoal, não lhe reconheço o direito de usar o plural com tanta leviandade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: #262626; font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;Pelos jornalistas em geral não deve poder falar, já que muitos haverá por certo que discordam das suas (chamemos-lhes assim) &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;ideias.&lt;/i&gt; E pelos portugueses em geral não pode mesmo falar já que há muitos, nos quais eu me incluo, que não pensam mesmo desta maneira. Por mim, devo dizer, não vejo qualquer embaraço semântico na questão. Um casal com dois homens significa que se trata de marido e marido; com duas mulheres, mulher e mulher; com um homem e uma mulher, marido e mulher. Nada de mais simples e evidente. Nem um embaraço semântico à vista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: #262626; font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;O que me parece é que o apuro em que José António Saraiva se encontra não é semântico mas sim de embate com o real. O grande (chamemos-lhe assim) &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;argumento &lt;/i&gt;dele é a tradição. &lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-family: Times; mso-bidi-font-size: 16.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: #1d1d1d; font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;; mso-bidi-font-size: 16.0pt;"&gt;Ora, como todos sabemos, a tradição já não é o que era. E, além disso, a evolução (não só das espécies) social e cultural tem tido, como sempre ao longo da História, um bom reflexo na linguagem. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: #1d1d1d; font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;; mso-bidi-font-size: 16.0pt;"&gt;Um simples exemplo: dantes, só havia embaixatrizes quando elas eram simplesmente mulheres dos embaixadores. Agora, que há mulheres a exercer esses cargos diplomáticos, também já há embaixadoras. Não adianta dizer que dantes não era assim. Não interessa. Não era, mas agora é. A mesma coisa com o casamento. Antigamente, só havia casais (oficiais e reconhecidos) em que um era homem e o outro (perdão!) a outra era mulher. Mas isso já lá vai. Hoje em dia, há casais formados por pessoas do mesmo sexo. Casais com dois maridos e casais com duas mulheres. E ainda casais com maridos e mulheres. Qual é a dificuldade? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: #1d1d1d; font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;; mso-bidi-font-size: 16.0pt;"&gt;O mundo, já o sabia Camões, é composto de mudança. Só José António Saraiva é que não o entende. Porque não quer. Ou porque não pode. Não porque o mundo lhe negue essa realidade, como se vê. Apenas porque o cérebro dele, coitado, não dá mais. Uma sugestão apenas, à laia de errata: quando ele diz "os nossos pobres espíritos" leia-se "o meu pobre espírito". &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: #1d1d1d; font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;; mso-bidi-font-size: 16.0pt;"&gt;Porque, na verdade, ninguém o empossou. Ninguém o elegeu. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-family: Times; mso-bidi-font-size: 16.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-family: Times; mso-bidi-font-size: 16.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;Emília Ferreira&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-1814388518436367009?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/1814388518436367009/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2011/08/do-uso-abusivo-do-plural.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/1814388518436367009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/1814388518436367009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2011/08/do-uso-abusivo-do-plural.html' title='Do uso abusivo do plural'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-4946744219060491629</id><published>2011-05-06T01:18:00.000+01:00</published><updated>2011-05-06T01:18:41.995+01:00</updated><title type='text'>Assim não vale!</title><content type='html'>Hoje estive a estudar português com o meu filho. De um modo geral, o estudo é feito com recurso a outros materiais que não o manual escolar, mas hoje, por pedido expresso do rapaz, lá fomos nós pegar no livro. Estávamos a trabalhar um texto quando eu tive a (estúpida) ideia de ir dar uma espreitadela à secção final, na qual se aglomeram os quadros gramaticais. Estava a tentar perceber que nome se dá agora a aspectos da gramática que eu aprendi (e ainda ensinei) com outros nomes.&lt;br /&gt;Um exemplo contextualizador antes de continuar: quando eu era miúda, o sujeito e o verbo era respectivamente o dito sujeito e o predicado. Dez anos depois, já o primeiro tinha passado a sintagma nominal e o segundo a sintagma verbal. O passar dos anos viu-os chegar a ostentar três nomes, que a minha memória, claro está, recusou registar. Entretanto, voltou-se ao sujeito e ao verbo. Mas, como descobri, entretanto, que havia outras coisas a mudar freneticamente, fui verificar se, por exemplo, os advérbios de modo ainda se chamavam assim.&lt;br /&gt;Continuo agora a história.&lt;br /&gt;Na tentativa de confirmação (ou não) da nomenclatura dos advérbios de modo, acabei por topar, ao folhear as páginas desse anexo gramatical, com uma coisa chamada determinantes. E vejo, com alguma surpresa, na página 210 do manual, um quadro com os Determinantes Possessivos. Um bocado surpreendida, comentei com ele: "olha, isto agora chama-se assim? Quando eu aprendi, chamavam-se Pronomes Possessivos".&lt;br /&gt;Qual não é o meu espanto, quando vejo, na página ao lado, a 211, um exemplo de Pronome Possessivo na frase "A mala é minha", seguido de um quadro, em tudo igual ao da página anterior, mas desta vez chamando, aos mesmos possessivos, "pronomes" em vez de "determinantes".&lt;br /&gt;Abstenho-me de narrar a esquizofrenia de mais pronomes/determinantes que completam a lista, como me abstenho de referir o chorrilho de asneiras que me saiu pela boca, a um ritmo pouco apropriado para uma mãe de família, mais a mais na presença do seu rebento. Mas não posso abster-me de partilhar convosco a perplexidade, a irritação, a sensação de inutilidade e de raivosa impotência que uma antiga professora de português como língua estrangeira (eu) sente ao verificar que, em vez de se insistir em ensinar a lógica da língua se insiste em cultivar a aparência de erudição, aplicada com despudor e malefício a camadas tão jovens da população.&lt;br /&gt;Melhor seria, em vez de andarem sempre com experiências imbecis e mudancinhas inúteis na nomenclatura (os especialistas que se divirtam com isso, nos seus minaretes, mas não lixem a cabeça dos putos, dando-lhes a ideia de que para manterem a sua sanidade mental o melhor é nem tentar perceber a gramática) e ensinem-lhes a conjugar os verbos, a pensar de forma clara, a perceber que a gramática é um instrumento útil e precioso (em vez de um instrumento de tortura), sobre cujo corpo se ergue o magnífico edifício da nossa língua.&lt;br /&gt;Caso contrário, continuaremos a ter manuais cheios de complexidade e putos (e graúdos) que não sabem que o verbo haver, como existência, apenas se conjuga na terceira pessoa (seja em que tempo for), que depois de um talvez ou de um embora é obrigatório o uso do conjuntivo (nada de aberrações como "talvez eu vou", ou "embora eu sei" — que só pedem como comentário um valente impropério —, em vez dos correctos "talvez eu vá", ou "embora eu saiba"), que o grama, tal como o quilograma é masculino, que o verbo caber é irregular na primeira pessoa do presente do indicativo (diz-se "eu caibo" e não "eu cabo"!!!) e que daí vem a irregularidade do presente do conjuntivo (para que eu caiba, tu caibas, etc...), que o verbo valer também é deste clube "eu valho" e não "eu valo" (e, portanto, para que eu valha, tu valhas, etc....), que há verbos que exigem o uso de preposições (não há cá "é isso que eu gosto", porque ficamos todos à espera de saber "de" quê...; ou seja: "é disso que eu gosto", porque gostar é sempre com de), e outras coisas.&lt;br /&gt;Estas e outras coisas, que decorrem de uma correcta aprendizagem da língua (como um tipo saber, por exemplo, que os pronomes demonstrativos "isto, isso, aquilo" são usados como informação geral sobre um objecto (isto é um livro), e que se referem à posição que o objecto tem em relação a quem fala ("isto", quando está perto do sujeito que fala;" isso", quando está perto do sujeito a quem se fala; "aquilo", quando está longo de ambos —ou mais — os sujeitos envolvidos na conversa) e que os demais se aplicam a informações mais específicas ("este livro é meu" ou "esse livro é amarelo"), obedecendo à mesma regra de colocação espacial em relação aos envolvidos na conversa.&lt;br /&gt;Também convém, por exemplo, que os miúdos aprendam a diferença entre ir e vir (parece impossível, mas muitos, já crescidos, continuam a dizer barbaridades como "eu nunca fui aqui" —!!!), em vez de andarem a atarantar os miúdos com uma parafernália de nomes para os mesmos velhos conceitos. Que, no final, ficam de tal modo obscurecidos que nada se torna tangível. Eu, no lugar desses senhores linguístas e gramáticos (ou sei lá como se chamam agora esses bem pensantes), teria vergonha do mau serviço a este património que é de todos: a língua portuguesa.&lt;br /&gt;Estou farta, fartinha, fartíssima, de andar todos os dias a ouvir brutalidades por todo o lado, a lê-las em legendas, traduções, notícias. Que os determinantes determinem é lá com eles. Mas para que lhes chamam determinantes (não os definindo claramente, simplesmente!!!) para logo a seguir (na página seguinte, por favor!) lhes chamarem pronomes? Enfim, já é de mais!&lt;br /&gt;Chega! É esta mentalidade obtusa que torna tudo difícil neste país. O rigor não é um fingimento de idiotas a fazer de conta que se é intenso. O rigor é o exercício da contenção, da atenção analítica, da simplicidade. Ensinem aos miúdos regras claras. Com nomes claros que não mudem de uma página para a outra. Deixem as especificidades mais complexas para quem de direito. Porque assim estão apenas a cavar o fosso entre essas pretensas elites (o que eu gostaria de os conhecer para lhes dizer, cientificamente, o que penso delas!) e a criar mais idiotas que depois passam todo o ensino borrifando na língua e saem das faculdades a dizer coisas como "tipo, tipo" ou "tipo do género" e outros mimos espiralados e incapazes de conjugar um verbo em condições.&lt;br /&gt;Estou farta, senhores! Farta dos livros que os putos carregam a massacrar-lhes a coluna inutilmente (cá pagaremos a factura dos seus futuros problemas de ossos), de manuais estúpidos que só servem a meia dúzia de editoras e autores e que alguns professores já mal formados já não têm capacidade para rejeitar e que estão a dar cabo da cabeça de gerações e gerações.&lt;br /&gt;Um último desabafo científico para tudo isto: um grande porra para isto tudo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-4946744219060491629?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/4946744219060491629/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2011/05/assim-nao-vale.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/4946744219060491629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/4946744219060491629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2011/05/assim-nao-vale.html' title='Assim não vale!'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-3302341825387869798</id><published>2011-03-16T01:07:00.000Z</published><updated>2011-03-16T01:07:18.005Z</updated><title type='text'>Falar sem pensar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Acontece a todos: falar sem pensar. Mas, no caso de um presidente da República, o caso pode tornar-se sério. Do mesmo modo que não podemos dizer tudo o que nos passa pela cabeça a propósito de um PR, dada a importância simbólica do lugar político que ocupa, também o PR não pode ser ligeiro. É uma faca de dois gumes. Sobre este cidadão, actual PR, desde que nasceu para a vida política, tenho uma opinião muito definida. E não é boa. Não gosto de gente que não sabe falar português nem se incomoda com isso, como se fosse coisa menor. Não gosto de gente que acha que a cultura é uma coisa de pouca monta, já para não dizer "uma pouca de merda" que é o que essas pessoas acham mesmo, como se depreende pelas suas acções. Não gosto de gente que, sendo catedrática em economia, só soube fazer porcaria quando era ministro dessa pasta, que desbaratou hipóteses de futuro para o país e agora vem, com a maior cara de pau, fazer de conta que o seu passado político é impoluto e, portanto, acima de qualquer dúvida.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Também não gosto de gente que tem a mania que sabe tudo. As pessoas sem dúvidas, cheias de soluções que nunca nomeiam, que mantêm secretas para se armarem ao imprescindível à nação, sempre me provocaram crises de urticária.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Além destas coisas todas de que não gosto, há uma que me apoquenta especialmente: a estupidez. A estupidez, como bem a definiu o Cipolla, num ensaio que não me sai da cabeça, é um perigo. Tem sido pouco estudada, mas sabe-se o suficiente sobre ela para se saber que tem sérios riscos: sobretudo para quem está por perto dos estúpidos. E o que é um estúpido? É alguém que prejudicando os outros não retira daí qualquer benefício pessoal. Assim o define o Cipolla, no tal ensaio (Allegro, ma non tropo).&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Não me ocorre outro adjectivo quando penso em algumas figuras políticas do nosso país. E, com grande vergonha como cidadã, é também esse adjectivo que me ocorre em relação às afirmações de hoje do PR.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Qualquer um se confunde, é certo. Mas voltamos ao mesmo. O PR não tem o direito de se confundir assim.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Pedir aos jovens de hoje que se&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 16px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;"empenhem em missões e causas essenciais ao futuro do país com a mesma coragem, o mesmo desprendimento e a mesma determinação com que os jovens de há 50 anos assumiram a sua participação na guerra do Ultramar" é de mais, mesmo para um homem sem cultura, sem capacidade de informação, e sem memória. Um cidadão comum, sem conhecimentos para medir as palavras, poderia até cair nessa boçalidade. Ou melhor: num cidadão comum, mesmo sendo uma boçalidade, seria... possível. Num PR é imperdoável. Os jovens que há 50 anos partiram para África para lutar pelo malfadado império não foram alegremente matar e ser mortos. Não foram lutar pela vida. Não foram fazer-se à vida. Foram porque não tinham outro remédio. Porque eram mandados. Sem apelo nem agravo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 16px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Sabemos que a situação hoje é séria e grave. Mas compará-la a uma guerra colonial é parvinho. É indigno. É inadequado. Sabemos que a situação hoje é assustadora e que apetece fugir. Mas não é com discursos bacocos e ignorantes que se mobilizam as pessoas à acção. Além do mais, do mesmo modo que ninguém terá ido para a guera com desprendimento (por favor!!!), também ninguém vê as suas oportunidades e a sua vida a escapar-lhe com ligeireza.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 16px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Mais uma coisa: determinação e desprendimento não andam bem de mãos dadas. Mas isso também o PR não deve saber, ele que sente tanto desprendimento em relação à reflexão sobre o valor da linguagem. Porque falar bem não é só um formalismo de gente tolinha que se incomoda com a aparência. Falar bem é sopesar o verbo. Escolher as palavras com critério. Pensar. Reflectir. Mas isso são coisas que não passam pela cabeça deste senhor que, pelos vistos, nem sequer sabe que um Presidente da República está em funções até à tomada de posse do seu sucessor… mesmo quando é sucedido por si mesmo. Ou não teria este PR respondido a um jornalista, uns dias antes da sua (re)tomada de posse, que não se podia pronunciar sobre um assunto em que era inquirido, porque ainda não tinha tomado posse!!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 16px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 16px;"&gt;Já não há pachorra para tanto disparate. Se eu for para a rua dizer que o PR é tudo aquilo que me apetece verbalizar, todos os adjectivos claros e inequívocos que me passam pela cabeça, serei, com grande probabilidade, admoestada, avisada (pelo menos) de que devo respeitar o senhor, pelo menos pelo cargo que ocupa. Porque é que ele não o faz, ou — em caso de falha de ideia própria, como se percebe — porque é que nenhum dos seus conselheiros o aconselha a fazer o mesmo?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 16px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 16px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 16px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 16px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-3302341825387869798?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/3302341825387869798/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2011/03/falar-sem-pensar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/3302341825387869798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/3302341825387869798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2011/03/falar-sem-pensar.html' title='Falar sem pensar'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-8010722824794988610</id><published>2011-03-12T20:40:00.001Z</published><updated>2011-03-12T20:41:59.418Z</updated><title type='text'>Longe de Hokusai</title><content type='html'>"O Japão!!"&lt;br /&gt;É assim que Wenceslau de Moraes, o oficial da Armada portuguesa que, no século XIX, trocou o Ocidente pelo País do Sol Nascente, relata a sua reacção à chegada a esse país. Em "Traços do Extremo Oriente", depois de passagens sobre a China, que Wenceslau de Moraes descreve com fascínio mas sem grande assombro (ou sempre assim me pareceu), a sua chegada ao Japão pede-lhe apenas essa exclamação, como se a mais não pudesse chegar, como se mais não fosse possível dizer. E, nessa exclamação, lancei eu aos treze anos, quando li essas páginas pela primeira vez, a minha imaginação sobre o que seria esse país longínquo.&lt;br /&gt;Sobre o Japão, que até hoje desconheço, guardei sempre um lugar quentinho no coração. Um povo que venera as árvores, que sabe de cor o formato e a cor e o perfume das flores de cerejeira, que se fascina com o futuro mas que sabe quem é, que não se rege por culpa mas por honra, que respeita o outro como a si mesmo — ou talvez mais... —, um povo que reage à violência e à humilhação da guerra com uma consciência pacifista...&lt;br /&gt;Um povo com algumas falhas, é certo (a matança das baleias e dos golfinhos)... mas que, afinal, assim se junta a nós: todos, apenas, humanos...&lt;br /&gt;Pela ideia mágica de Japão, bebida nos escritos de Moraes, aprendi a gostar de chá e a cultivar a memória. &lt;br /&gt;Por tudo o que nem consigo verbalizar me choca e comove a violência do sismo e do maremoto que ontem abalou Tóquio e reduziu a escombros a zona costeira mais a sul do país. Os japoneses estão habituados a que a terra trema e por isso os seus engenheiros fizeram prédios que resistiram a um sismo que roçou o topo da escala de Richter: 8,9. Também estão habituados a que as águas se elevem e lhes destruam a costa. É disso claro testemunho a gravura que Hokusai, "A Grande Onda de Kanagawa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-pisqCbCdpDU/TXvaaYL4RwI/AAAAAAAAAFg/52J0wNnSV6I/s1600/220px-Great_Wave_off_Kanagawa2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="274" src="https://lh5.googleusercontent.com/-pisqCbCdpDU/TXvaaYL4RwI/AAAAAAAAAFg/52J0wNnSV6I/s400/220px-Great_Wave_off_Kanagawa2.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Muito longe da beleza da xilogravura, a devastação de ontem deixou um país em desespero, mas um desespero que inspira um enorme respeito. A contenção, a ordem, a capacidade de reacção racional, tudo isso é admirável. Claro que não há ordem sem organização. Claro que a exigência tem, no Japão, custos. Fala-se, com frequência, na grande taxa de suicídios, de gente — tantas vezes jovens — que não consegue estar no que considera ser "a altura" das circunstâncias. Mas, não fora essa ordem, essa capacidade de previsão, essa exigência, e quantas vidas mais se teriam perdido? O Japão acaba de dar uma grande lição ao mundo e talvez nós, seus mais velhos parceiros diplomáticos, devêssemos aprender com esta nação: o improviso — que nós tanto gostamos de embandeirar em arco, dando-lhe um tom de grande vitória — nem sempre é o melhor conselheiro.&lt;br /&gt;Deste lado do mundo, noutra zona sísmica, que acontecerá quando um dia a natureza voltar a ajeitar-se, quando as placas tectónicas se rearrumarem, quando o mar voltar a invadir um território que os nossos passos e as nossas casas e as nossas vidas ocupam de ordinário? Que preparação temos nós? Como resistirão os nossos edifícios, erguidos mais para alimentar a ganância dos construtores e a fúria das câmaras municipais do que para suprir necessidades da população? Como resistirá a nossa população, ignorante de exercícios de sobrevivência?&lt;br /&gt;Na nossa mania de que somos capazes de improvisar (apesar da desordem de tudo que leva a que, de geração em geração, passe o descrédito e a impotência, para não falar agora noutras coisas, que levam gerações a manifestar-se pelo direito à segurança do trabalho), sem estarmos minimamente preparados para nada, como iremos reagir nesse dia?&lt;br /&gt;As notícias de hoje dizem, com grande alarido, que a catástrofe deixou de rastos a terceira maior economia do mundo. Por mim, tenho a certeza de que os japoneses não ficarão à espera de quaisquer improvisos ou de golpes de sorte. Sem atirar culpas para ninguém, e honrando-se a si mesmos e aos seus antepassados, eles voltarão a pôr de pé a sua economia, as suas vidas. Continuarão a olhar o mundo com o mesmo respeito pela sua beleza e a deslumbrar-nos com a sua capacidade de renovação.&lt;br /&gt;Para o belo país do sol nascente, um grande abraço e votos de que tudo lhes corra pelo melhor, no meio de toda esta destruição.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-8010722824794988610?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/8010722824794988610/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2011/03/longe-de-hokusai.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/8010722824794988610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/8010722824794988610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2011/03/longe-de-hokusai.html' title='Longe de Hokusai'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh5.googleusercontent.com/-pisqCbCdpDU/TXvaaYL4RwI/AAAAAAAAAFg/52J0wNnSV6I/s72-c/220px-Great_Wave_off_Kanagawa2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-6607890919780064395</id><published>2011-01-26T01:46:00.001Z</published><updated>2011-01-26T09:00:50.666Z</updated><title type='text'>No rescaldo e na resistência</title><content type='html'>E pronto. Cavaco Silva ganhou outra vez. Como era de se esperar, numa reeleição. Por mim, apesar de já se esperar, senti na mesma uma tristeza enorme com a confirmação. Que pena, que grande pena que seja um homem tão cinzento aquele em quem os portugueses se revêem. Razão tem a Helena Vasconcelos quando diz — como num texto que escreveu há dias — que os portugueses se revêem nele, entre outras razões, por ser um homem que vem do povo e por não gostar de cultura. Entre todas as outras razões que me fazem não gostar de Cavaco Silva (entre as quais o facto de ter tão pouco cuidado com a língua mãe, o que me irrita), essa conjugação povo + incultura aborrece-me sobremaneira. Em especial porque não tem de ser uma conjugação. Pode-se ser do povo e não ser inculto. Como também se pode ser inculto e não ser do povo. Mas aqui, para o geral do português, parece-me que a equação se coloca com uma variável especialmente malévola: a de que o povo, para ser realmente povo, não deve ter ambições (do tipo cultural, note-se). E que, portanto, a incultura deixa o quadro muito mais coerente e composto.&lt;br /&gt;Entre nós, como todos sabemos, a cultura é coisa mal vista. Um tipo que goste de falar de livros, de exposições, de filmes ou de música, é logo qualificado como alguém que "tem a mania". Olhando de longe, a coisa é irritante. Olhando de perto, a coisa torna-se compreensível: Portugal tem a estranha tradição de ter elites que gostam de guardar o saber só para si. Que cultivam o hermetismo e a complexidade como valores máximos. Assim se cria a imagem de erudição com que se coroam a si mesmos, sós e altaneiros, nos seus distantes e luminosos minaretes. Dos professores universitários aos críticos, passando por artistas, literatos e curadores, até a taxistas e cientistas, jornalistas, economistas, médicos e politólogos, todas as classes estão minadas por profissionais que se pelam por exercer o seu direito à vanglória, mantendo a plebe lá em baixo e ao longe, perdida na teia das difíceis palavras que expressam ainda mais difíceis conceitos.&lt;br /&gt;Como a cultura raramente foi expressa como fonte de alegria, de compreensão (do mundo, da história, de nós mesmos), sendo antes frequentemente usada como arma de arremesso, numa espécie de guerra entre eruditos e ignorantes, nada de mais natural do que a criação de anti-corpos em relação à mesma.&lt;br /&gt;Alguém gosta de ser insultado? Alguém gosta que a sua ignorância lhe seja esfregada na cara? Tenho dúvidas. Mas esse é o caminho trilhado e copiado por tantos dos que tinham responsabilidades de nos revelar o mundo em vez de o tornarem opaco aos nossos olhos. Quantas vezes ouvimos dizer: "Cale-se, não faça perguntas estúpidas!" ou perguntar "Porque é que faz perguntas sobre o que não sabe?"&lt;br /&gt;Ora as perguntas são caminhos essenciais para se sair da ignorância. Fazer perguntas sobre o que se desconhece é exactamente a via a seguir para se passar a conhecer. Pelo contrário, fazer perguntas sobre o que já se conhece (como parecem aconselhar os que criticam as perguntas sobre o que não se sabe), parece-me uma evidente perda de tempo. Mais: um sinal ou de fraca memória ou de franca estupidez. Ou se sonsice. Mas adiante.&lt;br /&gt;Num contexto tão adverso, não admira que o povo rejeite a cultura como valor e que valorize aqueles nos quais reconhece as mesmas falhas: ausência de domínio do código social (comer de boca aberta, ter gestos obtusos ou dizer disparates que revelam uma total falta de sentido de oportunidade e de conveniência ou de mera elegância "Está com a mesma roupa" — ou "é a mesma roupa da última vez", ou um qualquer disparate do género —, disse Cavaco Silva a uma senhora do seu partido, em visita de campanha na Madeira), desprezo pela língua (uma suposta reafirmação das suas raízes populares), e uma espécie de amnésia (selectiva) ou de moralidade elástica no que toca a obrigações legais (se eu não responder, ou se me fizer de distraído, pode ser que ninguém note... ou se notarem, que me desculpem...).&lt;br /&gt;Se calhar, portanto, devíamos, além de criticar Cavaco Silva, criticar o gosto tradicional das elites portuguesas de se armarem ao pingarelho. Talvez uma mudança de atitude levasse à criação e ampliação de públicos para a cultura. Não falo de facilitismos, atenção, mas de clareza. De desejo de partilha. De vontade de fascínio. Talvez assim o público deixasse de insistir em ver apenas programas de espionagem da vida (ou aparência de vida) dos intervenientes, de discutir apenas futebol e de incentivar os filhos a entrar em programas de êxitos na imitação de outros.&lt;br /&gt;Termino com a partilha de uma experiência pessoal na qual mergulha a minha ideia de que o saber dá felicidade. Quando eu era miúda passava os dias em casa de uma ama. Chamava-se Maria. Vivia numa casa de dois andares que partilhava com a irmã. Como ambas eram casadas, os respectivos núcleos familiares dividiam-se pelos dois andares partilhando apenas a cozinha e sala. A irmã de Maria chamava-se Eulália. Eulália era analfabeta. Maria sabia ler. Era um saber raro na vila, sobretudo para uma mulher. Entre as vizinhas da sua idade ela era das (muito) poucas que sabia ler. Por isso, enquanto as outras se entretinham a falar de coisas das suas vidas mais pessoais e comezinhas, ela sabia falar de outras coisas. O passar dos anos deixou-me esse saber mais claro e associei-o sempre também à capacidade de Maria de encarar a vida com maior tranquilidade e pragmatismo, contra o fatalismo e cansaço e amargura da irmã. Nunca deixei de a visitar, mesmo quando já não era pequenina. Gostava da sua companhia, da sua franqueza, da sua cabeça arrumada e analítica. E gostava de sentir o prazer que ela sentia nas pequenas coisas. Todas as tardes, o cheiro do café acabado de fazer invadia a casa. À hora do lanche, a Maria e a Eulália entravam na cozinha e preparavam a merenda. Daí a minutos, saíam para a sala, cada uma com a sua caneca de café de leite e a sua carcaça com manteiga. Eulália sentava-se à sombra, junto à porta de entrada e Maria sentava-se numa cadeira baixa, junto à janela, e por baixo da gaiola do seu canário, aproveitando do sol. Eu olhava alternadamente para uma e para outra. Comiam e bebiam coisas iguais, mas enquanto Eulália engolia um café amargo e um pão seco, Maria apreciava o calor do café e o seu perfume e deliciava-se a sentir na boca a macieza do pão. Nunca me esqueci dessas imagens tão diferentes, da lição impossível de perder: de como o prazer que se tira do mundo depende não do cenário, não da riqueza, mas da perspectiva. Da capacidade de nos sentirmos vivos e de apreciarmos o que nos é dado; o que conquistamos. Também nunca fui capaz de dissociar essas duas visões de um dado fundamental: Maria sabia ler, Eulália não. Nunca, mas nunca, pude esquecer aquilo que ficou claro para mim: o saber dá-nos uma medida maior. Prepara o nosso olhar para o mundo, torna-o mais generoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram muitos anos. E é claro que entretanto encontrei gente que tinha estudado muito mas exibia o mesmo ar de azia que Eulália punha enquanto comia o seu pão com manteiga e bebia o seu café com leite. Não consigo deixar de me lembrar de Eulália quando vejo Cavaco Silva, amargo e sem conseguir sorrir com os olhos, hirto e sem qualquer bonomia, como se com isso nos atirasse à cara que teve de subir a pulso para conseguir tudo o que tem.&lt;br /&gt;Talvez isso seja afinal uma questão de natureza. Mas, por mim, continuo a preferir pensar que o saber dá mais sabor à vida, que a cultura é uma coisa que nos ilumina os dias, e que temos todos o direito e o dever de a procurar e de a partilhar. Haverá ainda muitos a manter os seus segredos guardados a sete chaves. Muitos membros da elite decididos a manterem-se sozinhos no poder dos seus saberes pouco fecundos. Mas, no rescaldo destas eleições tão tristes, eu apelo a todos os que gostam da partilha, venham do povo, ou de outra qualquer classe social: contem, deslumbrem, façam por este país o que nunca se quis fazer. Mostrem ao dito povo que a ambição cultural é um caminho de esforço e rigor mas também de prazer, de conquista, de sabor. Pode ser que na próxima vez que surja um candidato tão cinzento o dito povo já ache que chega de azias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-6607890919780064395?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/6607890919780064395/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2011/01/no-rescaldo-e-na-resistencia.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/6607890919780064395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/6607890919780064395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2011/01/no-rescaldo-e-na-resistencia.html' title='No rescaldo e na resistência'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-5116163608442975867</id><published>2010-12-15T23:58:00.000Z</published><updated>2010-12-15T23:58:31.929Z</updated><title type='text'>Irmão rico, irmão pobre</title><content type='html'>&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;h1&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 16px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 24.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;O verbo haver tem uma história digna de romance. Até pode ser de cordel, mas ainda assim, romance. Equivalente — embora com menos enredo, é certo — do homem rico, homem pobre. No caso, através de dois usos distintos, um literário, outro vulgar: o primeiro com o sentido de ter, e o outro com o de existir. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 24.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;No primeiro caso, com o sentido de ter, é usado nos tempos compostos dos verbos, como, por exemplo: quando ela chegou à escola já os colegas &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;haviam&lt;/i&gt; chegado. Claro que é muito mais frequente (especialmente ao falar) dizer &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;tinham&lt;/i&gt; chegado do que &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;haviam&lt;/i&gt; chegado. Mas ambos os verbos estão correctos e em ambos os casos o verbo auxiliar (ter ou haver) é conjugado de acordo com o número do sujeito (ele havia/tinha chegado; eles haviam/tinham chegado).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 24.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;O raro uso oral do verbo haver, como sinónimo de ter, não deixou, porém, de lhe trazer confusões na vida da versão homem pobre, ou seja, na sua vulgaríssima utilização de &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;existência&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 24.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;É assim que este parente pobre vai aparecendo, com cada vez maior frequência, conjugado nas suas formas plurais. Coisas do género: naquele filme &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;haviam&lt;/i&gt; muitos actores bons. Ou: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;houveram&lt;/i&gt; muitas cheias no Inverno passado. Ou ainda: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;hão-de haver&lt;/i&gt; muitas pessoas na praia este fim-de-semana. E por aí fora. Ora é aqui que reside o problema. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 24.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;O verbo haver, enquanto afirmação de existência, não funciona no plural. Por uma razão simples: esse plural não existe. Não há. Em caso de cepticismo aconselha-se a consulta a um dicionário de verbos. Mas talvez não seja necessário para acabar com essa dúvida. Pense simplesmente o leitor incrédulo: quando usa o verbo no presente, para indicar a presença de muitas pessoas numa sala, diz "&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;há&lt;/i&gt; muitas pessoas na sala" ou "&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;hão&lt;/i&gt; muitas pessoas na sala"? É de crer que a segunda hipótese esteja afastada. Então porque insistirá em afirmar que "&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;haviam&lt;/i&gt; muitas pessoas" em vez do correcto "&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;havia&lt;/i&gt;"? Ou "&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;houveram&lt;/i&gt;" em vez do correcto "&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;houve&lt;/i&gt;"? Ou "&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;hão&lt;/i&gt;-de haver" ou "&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;haverão&lt;/i&gt;", em ver dos correctos "&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;há&lt;/i&gt;-de haver" e "&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;haverá&lt;/i&gt;"?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 24.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Não há pois margens para dúvidas. &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Haviam&lt;/i&gt;, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;houveram&lt;/i&gt;, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;haverão&lt;/i&gt; e outros que tais são manifestações de existência — ou de não-existência, aliás, — a evitar a todo o custo. Como as más companhias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 24.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Compreende-se facilmente a confusão, devido ao uso literário do verbo enquanto auxiliar, nos tempos compostos — aí sim, como já vimos, devidamente conjugado em singulares e plurais, de acordo com o sujeito da frase. Quanto ao mais, também já vimos: haver, enquanto sinónimo de &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;existir&lt;/i&gt;, é sempre absolutamente singular. &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Há, houve, havia, tinha havido, houvera, vai haver, haverá, haveria, haja, houvesse, houver, tenha havido, tivesse havido, tiver havido, havendo, havido&lt;/i&gt;. Ou seja: em todos os tempos, passados, presentes e futuros, sejam eles simples ou compostos, enquanto verbo independente (e não enquanto auxiliar de outros, com o sentido de ter), o verbo &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;haver&lt;/i&gt; é sempre singular. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 24.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Podemos mesmo dizer que é único. Ou original. O que quisermos. Desde que, de hoje para o futuro, não ignore o leitor essa especificidade verbal, pontapeando a língua e ofendendo o irmão pobre que, lá por não ser literário, não merece destrato.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 24.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 24.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 24.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 24.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;Emília Ferreira&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 24.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 24.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-5116163608442975867?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/5116163608442975867/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/12/irmao-rico-irmao-pobre.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/5116163608442975867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/5116163608442975867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/12/irmao-rico-irmao-pobre.html' title='Irmão rico, irmão pobre'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-2038840173531128860</id><published>2010-12-14T12:07:00.003Z</published><updated>2010-12-15T11:02:11.583Z</updated><title type='text'>Infernos</title><content type='html'>Quando ocorreu o bíblico episódio da torre de Babel, decerto ninguém poderia supor que as consequências viriam a ser tão estranhas e complicadas. Só para recordar a história, quando os homens tentaram construir uma torre que chegasse ao céu, Deus, enfurecido, resolveu destruir-lhes a obra e gerar a confusão, fazendo com que passassem todos a falar línguas diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que não vem na Bíblia, depois, diz respeito à criação dessas línguas e à lei das compensações. Assim, aos chineses calhou uma escrita complexa, mas uma gramática genialmente simples. Quanto a nós, a história é diferente. O português tem uma gramática bem mais complicada, mas também é certo que alguma coisa teria de compensar a simplicidade da escrita alfabética. Para contrabalançar, então, somos atacados pelos tempos verbais. Felizmente, dizêmo-los de ouvido porque os conhecemos desde o berço, sendo assim poupados aos dramas de uma aprendizagem em idade adulta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, fazemos essa ginástica verbal com toda a desenvoltura. Articulando múltiplos passados, presentes e futuros. Eu fui, eu ia, eu tinha ido, acabei de ir, se eu tivesse ido… etc.; eu faço, eu estou a fazer (ou estou fazendo), talvez faça, etc.; e direi, vou dizer, quando disser, hei-de dizer… e por aí fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suficiente para enlouquecer, com justa causa, qualquer chinês, habituado a pensar apenas no infinitivo dos verbos, indicando o tempo com um antigamente, hoje ou amanhã, ou ontem, ou um dia. Contudo, também é verdade que as sementes de loucura se podem instalar igualmente entre nós, pondo a nu as tais chatices decorrentes do episódio citado no início. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomemos a construção "haver de". Aparentemente, não tem nada de mais. Todos nós sabemos que, quando dizemos "eu hei-de ir ao Japão, um dia" não estamos a expressar senão uma intenção. Havemos de o fazer. Um dia. Quando? Desconhecemos. Mas, pelo menos, a intenção existe. O uso desta construção põe, porém, alguns problemas. Não na intenção, mas na conjugação. É um verbinho traiçoeiro o "haver", irregular já de si e ainda por cima de preposição às costas, tipo estudante de mochila. E nós lá vamos embatendo nele, como na estudantada em autocarros apinhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E afinal é assim: eu hei-de, tu hás-de, ele há-de, nós havemos de (vá-se lá saber porque não há hífen neste caso), eles hão-de. É assim e nada tem a ver com coisas arrepiantes como o "eles hadem vir…", ou o "depois hades contar-me todas as novidades…". É que o que se conjuga, em qualquer língua, são os verbos e nunca as preposições. Neste caso, o verbo é "haver". O "de" é mera preposição. Assim, hadem e hades são realidades obtusas. E, além do mais, dadas a confusões. Se hadem é coisa que não existe em português (diz-se "hão-de" e nunca "hadem"), quando se chega ao "hades", já é diferente. Existir, existe. Com o mesmo som, mas com maiúscula. O Hades. Só que nada tem de gramatical. É apenas o reino dos mortos, o nome do inferno, na mitologia grega. E também o nome do deus que reina nesse lugar de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 126.25pt 0pt 0cm; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: #333333; mso-ansi-language: PT;"&gt;É pois largamente preferível dizermos a um amigo "depois, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;hás-de&lt;/i&gt; contar-me todas as novidades", do que pronunciar o tétrico e infernal "&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;hades&lt;/i&gt; contar-me…". Por um lado, porque "hás-de" é a maneira correcta de falar. E por outro, porque apesar de o Hades estar cheio de boas intenções, o amigo pode não achar graça.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;[Nota: este texto já aqui tinha sido publicado, mas aqui fica outra vez, a ver se faz proveito.]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-2038840173531128860?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/2038840173531128860/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/12/infernos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/2038840173531128860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/2038840173531128860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/12/infernos.html' title='Infernos'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-1940335007457787329</id><published>2010-08-18T14:55:00.001+01:00</published><updated>2010-08-18T20:59:28.341+01:00</updated><title type='text'>Os criadores de heróis</title><content type='html'>Na sequência dos incêndios que nos têm consumido árvores e vidas, o jornalista Ferreira Fernandes publicou, no dia 12 de Agosto, um belo texto intitulado "A soldado desconhecida" e dedicado a Josefa, a jovem bombeira voluntária que perdeu a vida em Gondomar, lutando contra o fogo. O jornalista terminava o seu elogio a esta estirpe de jovens, de que a bombeira era um excelente exemplo, perguntando: "Como é possível, nos dias comuns e não de tragédia, não ouvirmos falar das Josefas que são o sal da nossa terra?"&lt;br /&gt;Tem toda a razão. Mas, se calhar, devíamos devolver a pergunta à sua classe profissional. Como é possível, nos dias comuns, apenas ouvirmos e lermos sobre gente sem interesse, gente que ganha a vida de modo tantas vezes destituído de qualquer valor e valia, gente cuja existência nada acrescenta de benigno às vidas dos outros? Quem cria esses valores? Quem promove esses modelos?&lt;br /&gt;Os media estão cada vez mais vazios de conteúdos de interesse. E quando digo interesse refiro-me a temas que possam despertar nos leitores/ouvintes/espectadores alguma coisa mais para além da cusquice, da má-língua, do desprazer. Os heróis que os media criaram e nutriram, nos últimos anos, não têm nada de inovador nem criativo. É gente que se limita a imitar bem vozes ou estilos de outros, a fazer birras, a provar que as suas vidas são de uma pobreza confrangedora. Porque é que essa gente deve ser modelo para alguma coisa? &lt;br /&gt;Os heróis que povoam as revistas cor-de-rosa, na maior parte dos casos, completamente desconhecidos e isentos de mérito, são com frequência apresentadores de televisão, bizarros fenómenos associados a produtos televisivos (outra vez)&amp;nbsp;de minguada exigência narrativa, representativa ou outras. Os júris dos programas (televisivos...) que instam o público à inútil imitação são acríticos, com frequência mal educados e soberbos. O público aplaude, acéfalo, tudo o que lhe põem à frente. Os noticiários e as notícias da imprensa escrita insistem no mesmo vazio de ideias. A crítica literária, artística, o ensaio, estão reduzidos a uma expressão cada vez mais escassa. Com a excepção de alguns produtos (televisivos, há que fazer justiça, neste caso) de divulgação de investigação e risco (veja-se, por exemplo, Sucesso.pt) de alguns portugueses que resistem "ainda e sempre", nada nos fala nos que fazem. Apenas nos que desfazem. Ou nos que deixam andar.&lt;br /&gt;Ao final de cada ano, as televisões passam sempre um apanhado do ano que finda. Começam invariavelmente com os desastres (naturais ou provocados) e terminam no futebol. Não há uma descoberta científica, uma exposição, um prémio literário, a edição avassaladora de um romance ou uma nova proposta musical, uma peça de teatro ou um filme que tenha emocionado multidões. Não há NADA que preste. Nada a não ser mostrar-nos que fazer ou não fazer é exactamente o mesmo.&amp;nbsp;Ou que, pelo menos, o&amp;nbsp;"resultado" prático, em termos de atenção,&amp;nbsp;é o mesmo, já que a atenção dada é nula. O que significa que o crime compensa, porque a esses é sempre dado tempo de antena.&lt;br /&gt;Quem cria estes vazios? Quem dá mais atenção aos fogos do que aos bombeiros, aos cientistas, aos artistas? Quem dá mais relevo à chusma de ignorantes do que ao valor dos mestres? Não é isto responsabilidade de quem escolhe, de quem decide o que é notícia ou não?&lt;br /&gt;Aliás, se fôssemos seguir à risca o que deve ser considerado notícia (no exemplo clássico de não ser notícia o cão que morde o homem, mas já o ser se for o homem a morder o cão), então estava na altura de romper esse ciclo vicioso de sublinhados da desgraça e da inglória para nos dar a ver o que é de excepção, o que é novo: o que é notícia.&lt;br /&gt;É claro que os jornalistas não são culpados dos fogos. Nem das guerras, nem das demais desvalias do mundo. Mas onde estão eles, onde está a sua vontade de noticiar o que é bom e se faz neste país (e também nos outros), para além da merda, do sangue, da ignomínia? Ou só é digno noticiar o que cheira mal? Porque é que é mais digno (e necessário) falar dos políticos que causam e mantêm a crise, do que dos que trabalham, diariamente, na procura de soluções para doenças, para os problemas ambientais, para um mundo melhor e mais justo? Quem faz essas escolhas e cria modelos? Obviamente, não defendo que se apague o que é mau. Mas porque se há-de apagar e sistematicamente o que é bom?&lt;br /&gt;Ou, caro Ferreira Fernandes, quem apaga,"nos dias comuns e não de tragédia",&amp;nbsp;"as Josefas que são o sal da nossa terra?".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-1940335007457787329?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/1940335007457787329/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/08/os-criadores-de-herois.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/1940335007457787329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/1940335007457787329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/08/os-criadores-de-herois.html' title='Os criadores de heróis'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-4339714396792195798</id><published>2010-08-16T13:55:00.000+01:00</published><updated>2010-08-16T13:55:34.566+01:00</updated><title type='text'>Desesperadamente procurando... a mamã?</title><content type='html'>A ACA-M já lhe chamou, carinhosamente,&amp;nbsp;"O Pequeno Marcos". &lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.aca-m.org/w/index.php5?title=P%C3%A1gina_principal"&gt;http://www.aca-m.org/w/index.php5?title=P%C3%A1gina_principal&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi, por certo, uma intuição feliz esta da ACA-M. Se não dos Apeninos aos Andes em busca da sua mamã querida e desaparecida, mas de Belém até à sua residência (em busca sabe-se lá do quê, mas façamos-lhe o desconto de pensar que ia também ter com alguém querido), o secretário de Estado da Defesa, Marcos Perestrello, dispensou o motorista para não pagar horas extraordinárias (que poupadinho!!) e conduziu ele próprio a viatura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/politica/governante--estampa-carro"&gt;http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/politica/governante--estampa-carro&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo por azar (foi, com certeza, azar e não imprudência e muito menos condução perigosa), acabou por estampar o carro. A deusa da&amp;nbsp;poupança foi perversa, já que o estrago material se saldou no valor do carro deitado para a sucata: 70.000 €. Moral da história? O barato sai caro. &lt;br /&gt;Mas a quem? A nós, evidentemente. O encargo do carro, enquanto viatura oficial, sai do bolso de todos os contribuintes. O seu espatifamento também. Proponho, desde já, e como medida profiláctica, que a próxima viatura seja mais barata. Com certeza que o secretário de Estado, como até um ministro, poderá perfeitamente ser transportado num carro de custo inferior. Do meu ponto de vista e sem querer fazer publicidade a marcas, acho que um secretário podia perfeitamente andar num carro de cidade: um smart. For two, naturalmente. Um ministro que fosse num smart for four. Não estou a brincar. Este tipo de atitude de gastar o erário público com carros caríssimos, ainda por cima disponíveis a estes indivíduos mesmo fora do seu serviço, é que é brincar com o dinheiro dos outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se em tempos de guerra não se limpam armas, em tempos de crise não nos armamos à embaixada de D. João V ao papa. Carros de 70.000€ porquê? Não há bons carros por metade do preço? Até por um terço? Porque é que temos de andar sempre a fazer figura de saloios e, ainda por cima, com o dinheiro dos contribuintes? Pelos vistos, continuamos a pensar que os dinheiros públicos não são de ninguém. Erro grosseiro. Os dinheiros públicos são de todos. Por isso mesmo devem ser gastos com a máxima seriedade e parcimónia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insisto na pergunta: quem vai pagar os danos? Era mesmo muito bom que este senhor fosse posto no seu lugar, sendo obrigado a desembolsar os custos do que espatifou. Mas, como sempre, e dada a amoralidade do nosso sistema, do qual todos&amp;nbsp;somos cúmplices,&amp;nbsp;tudo cairá no esquecimento. E nós continuaremos a pagar, alegremente, a idiotia destas decisões e a irresponsabilidade destas condutas. &lt;br /&gt;Por mim, ele não só devia ser obrigado a pagar como a demitir-se. Ele que vá mas é para casa da mamã! E até pode ser nos Andes. Desde que vá no seu próprio carro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-4339714396792195798?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/4339714396792195798/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/08/desesperadamente-procurando-mama.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/4339714396792195798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/4339714396792195798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/08/desesperadamente-procurando-mama.html' title='Desesperadamente procurando... a mamã?'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-1014762043488317391</id><published>2010-08-09T00:45:00.001+01:00</published><updated>2010-08-09T00:57:04.309+01:00</updated><title type='text'>O Elogio da Cortesia</title><content type='html'>A Herdade da Cortesia é um sítio especial. A promessa é de um lugar onde o pequeno-almoço não tem horas. Mas a verdade é que as horas, ali naquele sítio com vista para Avis e beirando a barragem do Maranhão, são longas e apetecidas.&lt;br /&gt;À chegada, recebem-nos como se nos conhecessem desde sempre. E ao longo da estada todo o tratamento é atento e cuidadoso sem que com isso nos tirem o sossego e a privacidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma implantação muito bem conseguida na paisagem, o projecto arquitectónico e decorativo acolhe-nos num registo contemporâneo que não desmerece o Alentejo, antes o elogia. Vale bem o que se paga, do alojamento à restauração.&lt;br /&gt;Por cima de nós, o céu é cruzado por várias aves, incluindo rapinas que voam alto e piam nos seus voltejos. Para além delas — e dos grilos, que cantam toda a noite —, o silêncio é apenas cortado pelo som de alguma braçada mais intensa na piscina, pelo pisar do cascalho dos caminhos ou por uma conversa amena.&lt;br /&gt;É um sítio excelente para descansar, mas também se pode andar a cavalo, passear de barco (é um lugar excelente para a canoagem e várias equipas internacionais usam as águas do Maranhão para se prepararem), andar de bicicleta ou fazer caminhadas e nadar.&lt;br /&gt;Muito perto de Avis, oferece também a possibilidade de um salto à terra de D. João I. É o Alentejo no seu melhor. A não perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver mais em&amp;nbsp;http://www.herdadedacortesia.com/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-1014762043488317391?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/1014762043488317391/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/08/o-elogio-da-cortesia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/1014762043488317391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/1014762043488317391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/08/o-elogio-da-cortesia.html' title='O Elogio da Cortesia'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-2138742209077800972</id><published>2010-08-08T20:54:00.001+01:00</published><updated>2010-08-08T20:54:48.629+01:00</updated><title type='text'>Sim, Sr. Doutor</title><content type='html'>É uma coisa antiga. Porventura característica de um país mais rural do que urbano e no qual havia duas figuras centrais na relação social: o padre e o médico. Do padre não me vou ocupar. Não é das minhas relações. Resta, por isso, o médico. Infelizmente, mesmo com maçãs a prevenir a mais frequente consulta, há sempre situações em que temos de ir ao médico. Antes de avançar, devo dizer que alguns dos médicos com que me tenho cruzado têm o sadio hábito de respeitar os horários marcados para as consultas. Mas, convenhamos, a maioria não é assim. De certeza que já todos passaram pela experiência. Marca-se a consulta, o doente aparece à hora (ou, de preferência, &lt;u&gt;antes&lt;/u&gt;&amp;nbsp;da hora) e o médico atende... quando puder.&lt;br /&gt;Ao doente — deve ser daí que vem a denominação de "paciente" — cabe esperar. Mas não apenas esperar. &amp;nbsp;Cabe esperar o tempo que for necessário até que o seu nome seja chamado.&lt;br /&gt;E não, não estou a falar do Serviço Nacional de Saúde, nem dos hospitais públicos, nem das urgências. Estou a falar dos consultórios particulares, onde o nosso dinheiro paga, e a peso de ouro, um serviço. Um serviço do qual nós, utentes, somos os clientes, mas no qual, ao contrário de um restaurante ou de qualquer outro serviço, não temos nunca razão.&lt;br /&gt;Como é extraordinariamente comum, a hora da consulta não passa de um indicador. Indica a hora a partir da qual o paciente deve ter a paciência de esperar pelo médico. A espera pode chegar às 2 ou 3 horas. E, ao fim desse tempo, o médico — que, por norma, nem tem a ideia de pedir desculpa pelo incómodo — despacha-nos na maior das velocidades.&lt;br /&gt;Diz-se que quem vai à guerra dá e leva, mas nesta guerra da saúde, nada funciona como devia. De um lado ficam os direitos, do outro os deveres. Experimente o leitor fazer o mesmo e chegar duas horas depois à consulta e vai ver o raspanete que apanha. Isto, claro, se conseguir ainda ser atendido.&lt;br /&gt;Há tempos, num hospital público, ouvi um médico irado chamar uma enfermeira para ameaçar que se ia embora se o paciente — que estava com 5 minutos de atraso — não aparecesse imediatamente. "Não estou para isto!", bradava, "tenho mais que fazer!".&lt;br /&gt;Esse mais que fazer é exactamente aquilo que, muito provavelmente, qualquer um de nós terá. Infelizmente, a saúde não se compadece com essas razões e por vezes faz-nos ir ao médico. Para, ainda por cima, tendo nós de cumprir todos os horários, nos confrontarmos com o mais que fazer dos médicos que nos fazem esperar, sem pensarem nas necessidades do nosso tempo.&lt;br /&gt;Assim aconteceu comigo há dias. Tendo uma consulta marcada para verificação de resultados de análises, cheguei ao consultório cinco minutos antes da hora marcada. Apresentei-me na recepção e dei nota da minha presença. Mandaram-me sentar e esperar. Trinta e cinco minutos depois, tendo um compromisso para daí a pouco, inquiri da demora da consulta. A recepcionista olhou-me com ar espantado. "Ah, ainda vai ter de esperar." "Quanto tempo?", perguntei eu. "Já cá estou há trinta e cinco minutos". Ela fez um ar incrédulo perante a minha observação. E acrescentou: "Sim, mas vai ter de esperar ainda. Ainda tem três pessoas à sua frente."&lt;br /&gt;Eu nem queria acreditar. Se não tivesse perguntado, teria ficado ali à espera, pelo menos, de acordo com a estimativa então apresentada, mais uma hora e meia. Sem qualquer aviso, e muito menos sem qualquer pedido de desculpas. Como o outro compromisso não podia esperar, tive de me vir embora. A recepcionista não podia ter ficado mais pasmada.&lt;br /&gt;Entretanto, lá ficaram, calados e obedientes, os outros pacientes que me antecediam. É fácil de deduzir que a hora da consulta deles também há muito tinha sido ultrapassada. Mas, calados e obedientes, ficaram os pacientes, esperando a benesse do Sr. Doutor. Uma benesse que, recordo, é um serviço. E um serviço pago principescamente. Se muitos médicos têm tanta falta de educação, tanta falta de humanidade e tanta falta de noção do que estão a fazer não é só por culpa deles. É também por culpa nossa. Enquanto continuarmos a fazê-los sentirem-se não como profissionais com os quais contamos (mas que não têm o direito de dispor de nós), eles continuarão a sentir-se semi-deuses.&lt;br /&gt;Não estaria na hora de a Ordem dos Médicos pôr os seus membros na ordem? O tempo dos outros, mesmo dos não médicos, também é dinheiro. Melhor: é vida. Com a qual não se brinca. Como eles, melhor que muitos, deviam saber.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-2138742209077800972?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/2138742209077800972/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/08/sim-sr-doutor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/2138742209077800972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/2138742209077800972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/08/sim-sr-doutor.html' title='Sim, Sr. Doutor'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-6535525671419124967</id><published>2010-06-21T21:27:00.000+01:00</published><updated>2010-06-21T21:27:38.030+01:00</updated><title type='text'>A passos de coelho</title><content type='html'>Passos Coelho, esse bravo novo líder do PSD, o mesmo que escreveu há tempos um livro intitulado "Mudar", afinal optou pela permanência. Pelo menos, a avaliar pela posição que tomou (ou não tomou?) em relação ao passado sombrio do seu partido no que diz respeito a Saramago.&lt;br /&gt;E, em vez de virar a página, de dar o exemplo da mudança e de se distanciar do provincianismo inquisitorial de Sousa Lara e da solidariedade, com desculpa veraneante pelos Açores, de Cavaco Silva, que faz o coelho? (Perdão, o Coelho). Enfia-se na lura. Em vez de dar um grande passo, Passos Coelho recolheu-se à não acção, à inacção, à incapacidade de se distanciar da ignomínia.&lt;br /&gt;Mudar? É caso para voltar a usar o velho adágio francês que ainda há dias usei a propósito de outro assunto: plus ça change, plus ça c'est la même chose.&lt;br /&gt;Ora bolas, Passos Coelho! Com passinhos destes, assim temerosos, quando é que mudamos o que quer que seja?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-6535525671419124967?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/6535525671419124967/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/06/passos-de-coelho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/6535525671419124967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/6535525671419124967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/06/passos-de-coelho.html' title='A passos de coelho'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-1457143461969295390</id><published>2010-06-20T12:22:00.001+01:00</published><updated>2010-06-20T12:38:38.492+01:00</updated><title type='text'>Adeus, José!</title><content type='html'>Não conheci o homem. Mas conheço a sua escrita. Para além da escrita, vou sentir saudades de ouvir o homem, com expressão desassombrada, dizer o que pensava, com clareza e limpidez. Com a humanidade de poder estar errado mas de expressar a sua convicção.&lt;br /&gt;Fica a sua escrita. Com o seu cantar enleante.&lt;br /&gt;Do que não fica, do homem que levou para Lanzarote as mágoas de um país mas também uma oliveira que plantou ao pé da sua casa, ficam as acções dos outros.&lt;br /&gt;Num país que dá tão pouca importância aos seus criadores, há que saudar algumas decisões: que o governo tenha disponibilizado um avião militar para o ir buscar; que a Ministra da Cultura tenha ido nesse avião para o trazer de regresso. Que as pessoas tenham ido desperdir-se dele (talvez o menos surpreendente, embora seja pena serem tão poucos...). E que algumas ausências tenham feito sentir que as mágoas que o levaram para fora daqui tinham muita razão de ser.&lt;br /&gt;Os políticos serão todos iguais, as políticas todas desviantes e escusas, e muitas têm sido as críticas a este governo. Mas, neste aspecto, e fora de questões eleitoralistas, os actos ficam de facto com quem os pratica. Ou de quem escolhe ausentar-se (obliterando o luto nacional pelo comezinho facto de estar de férias, por exemplo, como é o caso do Presidente da República) do adeus ao nosso único Nobel da literatura.&lt;br /&gt;Adeus, Saramago. Até sempre!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-1457143461969295390?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/1457143461969295390/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/06/adeus-jose.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/1457143461969295390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/1457143461969295390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/06/adeus-jose.html' title='Adeus, José!'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-4441822041138451687</id><published>2010-06-10T23:38:00.000+01:00</published><updated>2010-06-10T23:38:03.085+01:00</updated><title type='text'>Começou...</title><content type='html'>Acabei de abrir o Google. E o Google, em desenhos, sobre a janela do buscador, avisou-me sem palavras: começou. Começou a copa do mundo e com ela a seca de não haver mais notícias. De tudo se resumir durante um tempo sem fim......... a perder de vista.............. ao futebol. SECA, SECA, SECA!!! Que me desculpem os que se pelam por uma pelada, os que rebolam os olhos ante o prazer que o esférico lhes proporciona, mas é que, para quem não gosta, um mês (valha-me Santo Ambrósio Milagreiro!!!, como dizia a minha amiga Guia, nos nossos tempos de faculdade) é uma eternidade. Para mim, é o exemplo mais acabado que o Einstein poderia dar para explicar aos leigos a sua teoria da relatividade.&lt;br /&gt;Vai calhar-me bem a ocupação de tempo de antena, para obstaculizar a minha tentação televisiva e me canalizar na direcção da estante, sobretudo na da literatura que tem andado tão esquecida, 'tadinha, tirando dela o descanso para o cansaço da leitura ensaística. Mas, sabem?, a leitura tem um defeito: não me adormece. Para me desligar o cérebro, ao fim de um dia de trabalho, nada melhor do que a televisão. Não consigo adormecer com um romance nas mãos. Vou atrás da sua voz encantatória até onde ela me levar. Mesmo que a desoras. Mas a televisão, amigos, a televisão: a televisão embala-me com uma limpeza, que até parece mentira. Qualquer eco de pensamento remanescente se evapora. The little grey cells, como dizia o Poirot, remetem-se a uma inactividade maravilhosa, a uma incapacidade comunicativa que se diria o retiro voluntário de um eremita.&lt;br /&gt;Ora o futebol vai aniquilar isso. Não poderei ficar em frente ao écrã à espera de um programa que me anestesie. Porque o futebol vai tomar conta de tudo. Primeiro, com os jogos. Depois, com os comentários sobre os jogos. Logo a seguir, novamente com mais jogos. E com as notícias dos jogos. E os prognósticos. E os diagnósticos. E os agnósticos? Sim, para quem não é crente, esta religião do esférico é um inferno na terra. Para mim, pior que o Papa. Porque esse, valha-nos deus, só cá esteve uns dias. Mas estes tipos vão levar um mês!! Um mês!! E são aos magotes. Os jogadores, os técnicos, os comentadores, &amp;nbsp;os adeptos, os críticos, os enervados... Já se está a ver que haverá por certo, além de tudo, romarias de saudade, com evocações ao passado mítico dos jogadores e do desporto-rei. O esférico vai ocupar tudo e todos. Ninguém vai falar de mais nada. Vai ser como se o mundo parasse. Ironia das ironias: o esférico a rolar sobre a relva, metafraseando o velho Esteves, vai fazer parar o mundo, esse esférico que suporta a relva que suporta a bola.&lt;br /&gt;Já não estou a bater bem, como podem perceber. Daqui a um mês, quando me virem com umas olheiras até ao queixo, com o peso das insónias e a loucura das vuvuzelas, não se espantem. Já sabem de quem é a culpa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-4441822041138451687?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/4441822041138451687/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/06/comecou.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/4441822041138451687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/4441822041138451687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/06/comecou.html' title='Começou...'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-2882473898641680704</id><published>2010-05-29T00:35:00.000+01:00</published><updated>2010-05-29T00:35:01.891+01:00</updated><title type='text'>Plus ça change, plus ça c'est la même chose...</title><content type='html'>Bem, se a frase existe em francês, deve ser porque nos outros países a coisa também se passa como cá. Mas a verdade é que com o mal dos outros podemos nós bem. O nosso é que dói.&lt;br /&gt;Mas a que propósito vem isto? Simples. Ouvi há dias uma notícia perturbadora: a partir de agora, os maridos homicidas (enfim, os assassinos de mulheres, digamos de modo mais claro) podem escolher entre a prisão e o tratamento psiquiátrico. Fiquei pregada ao chão. Ainda nem acredito que ouvi bem. E, aliás, se alguém tiver a notícia, por favor envie-ma porque eu tenho andado à procura e não a encontro e quero mesmo ter a certeza de que ouvi bem.&lt;br /&gt;Em que é que isto me faz pensar que nada muda? É que, de repente, veio-me à memória uma Farpa do Eça. Um texto publicado em 1871 (e que mais tarde foi recolhido em "Uma campanha alegre") a propósito de um marido, um cidadão de Gouveia, que matara a mulher e fora condenado a varrer as ruas da cidade.&lt;br /&gt;Passo-vos, com prazer, a transcrição:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpFirst" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: EN-US; mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-bidi-font-size: 13.0pt;"&gt;Uma nova penalidade&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: EN-US; mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-bidi-font-size: 13.0pt;"&gt;Outubro 1871.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: EN-US; mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-bidi-font-size: 13.0pt;"&gt;«Um marido matara sua mulher, partira-a aos pedaços, fora preso, e condenado...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: EN-US; mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-bidi-font-size: 13.0pt;"&gt;Reparem bem! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: EN-US; mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-bidi-font-size: 13.0pt;"&gt;«E condenado... a varrer as ruas de Gouveia!»&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: EN-US; mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-bidi-font-size: 13.0pt;"&gt;De modo nenhum queremos limitar os maridos no direito de decepar suas mulheres. São miudezas domésticas em que não intervimos. Nunca se dirá que as Farpas se arrojam indiscretamente sobre o seio das famílias. Que os maridos, quando lhes convenha, para melhor organização do seu interior, partam suas mulheres aos pedaços — coisa é que nem nos escandaliza, nem nos jubila! Talvez não imitássemos esse exemplo: não por nos parecer fora das atribuições maritais, mas por se nos afigurar excessivamente trabalhoso o partir aos bocadinhos uma consorte estimada! E entendemos que, quando um marido se sinta dominado pelo desejo invencível de partir alguma coisa — é mais simples ir à cozinha trinchar o rosbife, do que à alcova retalhar a esposa!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: EN-US; mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-bidi-font-size: 13.0pt;"&gt;Não nos espanta também o castigo infligido pelo meritíssimo juiz de Gouveia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: EN-US; mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-bidi-font-size: 13.0pt;"&gt;Nós não temos a honra de conhecer Gouveia. O código, é certo, marca uma pena diversa, não prevendo esse castigo de varrer as ruas de Gouveia — de resto todo Local.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: EN-US; mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-bidi-font-size: 13.0pt;"&gt;Mas quem sabe se não será uma tremenda penalidade — o limpar as ruas de Gouveia!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: EN-US; mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-bidi-font-size: 13.0pt;"&gt;Talvez mesmo o juiz — por lhe parecer insuficiente o degredo perpétuo — rompesse no excesso arbitrário de entregar aquele facínora ao suplício imenso de limpar as ruas da sua vila! Bem pode ser que aquele marido esteja cumprindo uma sentença pavorosa, e que o devamos lastimar mais que os infelizes que S. M. Alexandre II da Rússia (que Deus guarde e muitos anos conserve em prosperidade e glória) manda trabalhar, ao estalo do chicote, nas minas de Orilieff! A imundície da província tem mistérios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: EN-US; mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-bidi-font-size: 13.0pt;"&gt;Limpar as ruas de Gouveia será talvez a pena que de futuro adoptem, em substituição da pena de morte, os códigos da Europa. Que grande honra, meus amigos, para a sujidade nacional!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: EN-US; mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-bidi-font-size: 13.0pt;"&gt;Mas uma coisa nos ocorre: — e é que, de ora em diante, varrer as ruas deixa de ser um emprego municipal, e começa a considerar-se uma pena infamante. E pode acontecer que os srs. varredores de Lisboa — não querendo, por uma susceptibilidade exagerada, passar por terem assassinado suas esposas, deponham com gesto de desdém o cabo das suas vassouras nas mãos atarantadas da câmara municipal! Por outro lado, dada esta greve, nenhum cidadão se quererá incumbir de limpar as ruas. Há gente tão meticulosa, tão escrupulosa, que embirraria que os vizinhos a suspeitassem de ter empregado o trinchante na pessoa da sua consorte. A única pessoa que afoitamente ousaria varrer as ruas seria aquela de quem se não pudesse suspeitar um crime, aquela que fosse pela lei do Reino declarada irresponsável. Ora há só uma neste caso. É o chefe do Estado. Esse é o único que poderia varrer as ruas sem que ninguém se lembrasse de pensar que ele andava ali, às vassouradas, por sentença de um tribunal. Esse é irresponsável; não comete crimes, nem sofre penas. Mas seria realmente atroz que S. M. se visse obrigado, depois do teatro, a ir, por essas vielas, melancolicamente seguido da sua corte, levando, de vassoura em punho, adiante de si, em nuvens de poeira, a O Diário de Notícias, jornal que tem imposto aos seus correspondentes o hábito das informações escrupulosas e sérias, inseria ultimamente uma carta de Gouveia em que era narrado este caso: imundície dos seus vassalos!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: EN-US; mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-bidi-font-size: 13.0pt;"&gt;Que a justiça, pois, nos esclareça sobre estes pontos: se limpar as ruas é uma penalidade nova, e se, a troco de quatro vassouradas, qualquer cidadão pode ter a vantagem de espatifar sua esposa: se a imundície especial e pavorosa das ruas de Gouveia torna realmente essa pena igual à de degredo: ou se o sr. juiz de Gouveia entende que matar a esposa é acto tão meritório, que merece um emprego remunerado pela câmara. Esperamos, modestos e respeitosos, as respostas dos poderes públicos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: EN-US; mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-bidi-font-size: 13.0pt;"&gt;Eça de Queiroz, Uma Campanha Alegre. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US; mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-bidi-font-size: 13.0pt;"&gt;Retirado de http://pt.wikisource.org/wiki/Uma_Campanha_Alegre/I/XXXVI&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Arial; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;Ora bem, já vêem ao que venho com o intróito desta posta. Imaginem que, agora, qualquer cidadão que sinta ânsias de matar a mulher, dá conta do caso com a maior ligeireza e pode depois, em vez de bater com os costados num calabouço, entregar-se aos cuidados de um hospital psiquiátrico. Parece-me muito bem visto. Deve ser assim que caminhamos para o progresso. Pelos vistos, às cegas, graças ao braço da justiça, ela, também, invisual, como sabemos. Que grande alegria tanto progresso. Não concordam? Que o digam as 46 mulheres mortas pelos seus companheiros, em 2008 (mais 50% do que no ano anterior); as 26 que sofreram o mesmo destino em 2009. Os números de 2010 ainda não são conhecidos, mas uma notícia adiantava, há dias, que até agora já foram mortas mais mulheres em Portugal do que em todo o ano passado. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;Que dizer? Não há ironia que resista. Que raio de país é este? Não sei se a justiça é cega. O que me parece é que lhe falta, simplesmente, discernimento.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-2882473898641680704?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/2882473898641680704/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/05/plus-ca-change-plus-ca-cest-la-meme.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/2882473898641680704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/2882473898641680704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/05/plus-ca-change-plus-ca-cest-la-meme.html' title='Plus ça change, plus ça c&apos;est la même chose...'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-5914156813087527298</id><published>2010-05-18T23:17:00.000+01:00</published><updated>2010-05-18T23:17:30.244+01:00</updated><title type='text'>O triunfo da lógica aristotélica</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse; font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify" style="border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-left-width: 0px; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-width: 0px; color: black; font-size: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; outline-color: initial; outline-style: initial; outline-width: 0px; padding-bottom: 15px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;E pronto! Cá está! Porque não acertarei eu na chave do euro-milhões? Cá está! Foi ao lado, é certo, mas andei tão perto... Dizia eu numa posta há horas, que ainda havia de aparecer alguém a acusar os gays da quebra da natalidade. Bem, em linha directa depois desse raciocínio (será que se qualifica como tal?) a nossa sempre "reliable" Isilda Pegado já tinha "pegado" (era irresistível, desculpem) num argumento semelhante: o de que o casamento dos gays, além das&amp;nbsp;"graves consequências ao nível dos valores da nossa sociedade, da educação dos jovens" terá também consequências económicas. E quais? Ora bem: as de quem é vai pagar a velhice desta gente. Pergunta ela e muito bem: "Quem é que trata destas pessoas na velhice? Não têm filhos, nem podem ter netos. Também têm direito a ser tratados, logo, vai sobrar para todos nós. Vai sobrar para os contribuintes."&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-left-width: 0px; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-width: 0px; color: black; font-size: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; outline-color: initial; outline-style: initial; outline-width: 0px; padding-bottom: 15px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;Coitada!!! Ninguém explicou à Isilda Pegado que ser gay tem a ver com sexo e não com contribuições e impostos. Que eu saiba, os gays não estão isentos de impostos, portanto deve andar muito gay a pagar a velhice de heteros com e sem família. Depois: ninguém explicou à Isilda que o facto de os gays casarem não os vai tornar mais dados a fugir ao fisco do que quando eram solteiros. Logo, vai continuar a haver gays casados a pagar impostos e a pagar a velhice de heteros com e sem família. E, se calhar, casados e solteiros, a pagar a velhice de actuais velhos gays, com ou sem família.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-left-width: 0px; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-width: 0px; color: black; font-size: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; outline-color: initial; outline-style: initial; outline-width: 0px; padding-bottom: 15px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;Depois: ninguém explicou à Isilda que ser hetero não é condição sine quo non para se ter filhos. Há pessoas que são estéreis, sabia? Independentemente da sua orientação sexual. Que devemos fazer a esses cidadãos? Na velhice, sem descendentes directos, vão ser mais uma carga para os contribuintes. Que fazemos? Exterminamo-los?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-left-width: 0px; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-width: 0px; color: black; font-size: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; outline-color: initial; outline-style: initial; outline-width: 0px; padding-bottom: 15px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;Mais ainda: ninguém explicou à Isilda que ser gay não é condição sine qua non para não ter descendência. Conheço vários gays com filhos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-left-width: 0px; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-width: 0px; color: black; font-size: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; outline-color: initial; outline-style: initial; outline-width: 0px; padding-bottom: 15px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;E ainda: eu, por exemplo, que também tenho direito à minha opinião e também tenho direito a ter figadeiras de vez em quando, também não gosto de gente intolerante e tacanha. Pela minha parte, também gostava que os meus impostos não fossem usados para garantir não só a velhice como a maturidade (claro que, no seu caso, é conceito que não conhece) de alguns cidadãos, especialmente quando, ainda por cima, são deputados. Como a senhora, por exemplo. Mas, que se há-de fazer? Não posso escolher. Não posso dizer: não quero pagar à Isilda Pegado. Por mim, nem um mísero cêntimo dos meus impostos iria para si, compreende? Mas que hei-de fazer?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-left-width: 0px; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-width: 0px; color: black; font-size: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; outline-color: initial; outline-style: initial; outline-width: 0px; padding-bottom: 15px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;Fico, no entanto, contente que todos os cidadãos do meu país, independentemente da sua orientação sexual e de terem ou não descendência, e de serem ou não estúpidos, possam determinar o que fazer com a sua vida. No meu caso, como vê, o Presidente da República não me desiludiu. Pelo contrário: pela primeira vez, senti que ele passava uma tangente à possibilidade de ser, mesmo que contrafeito, o meu presidente!&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-left-width: 0px; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-width: 0px; color: black; font-size: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; outline-color: initial; outline-style: initial; outline-width: 0px; padding-bottom: 15px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;(Harrrggh, isto sim, é que é arrepiante!)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-left-width: 0px; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-width: 0px; color: black; font-size: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; outline-color: initial; outline-style: initial; outline-width: 0px; padding-bottom: 15px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-left-width: 0px; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-width: 0px; color: black; font-size: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; outline-color: initial; outline-style: initial; outline-width: 0px; padding-bottom: 15px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-left-width: 0px; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-width: 0px; color: black; font-size: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; outline-color: initial; outline-style: initial; outline-width: 0px; padding-bottom: 15px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-5914156813087527298?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/5914156813087527298/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/05/o-triunfo-da-logica-aristotelica.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/5914156813087527298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/5914156813087527298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/05/o-triunfo-da-logica-aristotelica.html' title='O triunfo da lógica aristotélica'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-5981732716098348195</id><published>2010-05-18T15:10:00.004+01:00</published><updated>2010-05-18T15:26:28.378+01:00</updated><title type='text'>Só mais um desabafo</title><content type='html'>A professora Bruna Real, ciente do seu bom aspecto físico, resolveu assumir o seu direito a dispor de si (incluindo o seu corpo) e a posar nua para uma revista. Tudo estragado. Suspensa das suas actividades docentes, a Câmara de Mirandela promete agora reconduzi-la, mas a lugar mais recôndito e longe das criancinhas.&lt;br /&gt;Não venho aqui comentar a decisão da Câmara de Mirandela, mas o eterno escândalo que, entre nós, se sente em relação a tudo o que diga respeito ao corpo quando existe suspeita de erotismo ou sexualidade envolvida.&lt;br /&gt;Tal como no outro famigerado caso da docente Josefina Rocha, de Espinho, já aqui comentado, mais uma vez o que importa é a questão sex..sex...sexual. Hum! Isto é um povo de diáconos Remédios. A mim interessar-me-ia mais saber se os docentes que lidam com o meu filho têm uma correcta prática da língua mãe; se não mimoseiam as criancinhas com "fostes" e "hadem" e "entreti-me" e outros descalabros que mostram à saciedade (e à sociedade) que não sabem como é que os verbos se conjugam e portanto que não têm a mais mínima noção da língua que falam... o que significa que a falta de rigor se há-de, inevitavelmente, propagar às áreas científicas que leccionam (lamento a desconfiança, mas cesteiro que faz um cesto faz um cento!).&lt;br /&gt;Sim, do que eu gostaria era de um aturado e actualizado saber das tais áreas científicas; além de uma prática de rigor, responsabilidade, criatividade e exigência com os miúdos, de modo a ajudar a melhorar este triste país.&amp;nbsp;Acharia isso muito mais interessante do que saber que há docentes que gostam de ser fotografados nus ou com roupas mais picantes, desde que esses assuntos, em princípio alheios aos programas escolares, não surjam no domínio da sala de aula, já que nada têm a ver com ela (o que os pais - que fizeram esgotar a edição da Playboy em Mirandela - parecem, de facto, ter propiciado; haverá agora algum miúdo em Mirandela que não saiba do caso?).&lt;br /&gt;Em vez de se preocuparem com estas coisas, valia mais que insistissem na introdução de uma disciplina científica de sexologia que não se limitasse à reprodução mas que instruísse igualmente os miúdos no conhecimento dos seus corpos, que os libertasse dos medos e os protegesse, através do saber, de actividades erráticas (que existem, como todos sabemos!) que geram mais mães adolescentes, miúdos com problemas de saúde causados por Doenças Sexualmente Transmissíveis, e miúdos com problemas psicológicos por questões de identidade sexual, quando esta é tida por "desviante". Continuamos a falar do acessório e a não resolver o que realmente interessa: a bem da saúde e da qualidade de vida de cada um.&lt;br /&gt;Na verdade, se querem que vos diga, estou farta desta mania de achar que tudo o que envolve sexo é porco e pecaminoso. Na minha modesta opinião, o pecado (tal como a beleza..., mas esta "em bom") está na cabeça de quem o vê.&lt;br /&gt;Olhando bem para este país, dá vontade de acrescentar mais um f à célebre trilogia do fado, Fátima e futebol. Parece que na verdade, anda tudo a ver se f... mais esta já triste situação. Se calhar, é mesmo por falta de quecas. E de quecas informadas, criativas e livres!&lt;br /&gt;O sexo faz bem à saúde.&amp;nbsp;Divirtam-se mais e, assim bem dispostos, produzam alguma coisa, por favor! Do que este país precisa é de sair da crise e não de andar a espiar a pobre Bruna (e outras Brunas e Brunos) e a metê-la em parte incerta só porque ela se despiu para uma revista... que vocês todos, seus manganões!!, foram espreitar!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-5981732716098348195?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/5981732716098348195/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/05/so-mais-um-desabafo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/5981732716098348195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/5981732716098348195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/05/so-mais-um-desabafo.html' title='Só mais um desabafo'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-8845813375508367643</id><published>2010-05-18T12:09:00.001+01:00</published><updated>2010-05-18T12:10:16.538+01:00</updated><title type='text'>Sinónimos de tolerância: "abjecto e aberrante"</title><content type='html'>E pronto! Começou o circo.&lt;br /&gt;O Presidente da República, que até foi com a família toda fazer vénias ao Santo Padre, está a desiludir a maioria dos portugueses católicos (praticantes ou não)! Ao passar as questões do casamento homossexual de volta à AR, deixou muitos católicos à beira de um ataque de nervos. Uma senhora da Póvoa, manifestando (no debate de hoje da Sic Notícias) a profunda "piedade e alegria" que lhe causou a visita de Bento XVI, exaltou-se segundos a seguir com o casamento dos homossexuais, chamando a essas pessoas "abjectas e aberrantes". Estou em crer que, se estivesse em estúdio, tinha largado a distribuir estaladões com a mesma piedade e alegria com que recebeu a boa nova. Um rol de católicos tem acorrido ao debate com o desespero na voz. O país está a arder, há falta de crianças... não tarda nada e algum mais dado à lógica aristotélica vai juntar premissas e concluir que os gays é que são os culpados pela baixa de nascimentos.&lt;br /&gt;Em estúdio, o argumento de um dos participantes, defensor do casamento mas sem gays, é que o casamento é a base da sociedade e que foi "organizado" dada a importância social que detinha. Por acaso, sempre me pareceu, por questões históricas, que o casamento tinha começado por uma questão de passagem patrimonial. E parece-me que é essa exactamente a questão em torno do casamento homossexual: a das heranças. Parece-me que todos nós gostaríamos que, na nossa morte, os nossos bens passassem para a posse da pessoa (ou pessoas) mais próxima, da que mais amámos.&lt;br /&gt;A mim espanta-me que os católicos (ou, enfim, estes mais ortodoxos que vêm à praça pública com as suas tochas), que têm tão facilmente o amor na ponta da língua, tenham tanta dificuldade em perceber uma questão tão simples, mas, se calhar, é porque eles andam descrentes no casamento, como o prova a alta taxa de divórcio entre eles. A esses interditos (sim, interditos, amigos: o Papa disse-o com todas as letras "O casamento é para a vida"!) fazem eles orelhas moucas. Que grande aborrecimento estas contradições! Em cada um dos seus casos particulares, os mesmos que apelam aos valores católicos estão-se pouco lixando para as normas que lhes atrapalham o quotidiano. Fé sim, mas que os imperativos sirvam para os (e sejam impostos aos) outros. Porque, pragmaticamente, eles, como católicos, sabem que não estão dispostos a sofrer. O Papa diz que o casamento é para a vida? E eles ralados...&lt;br /&gt;Provavelmente, isto é tudo uma questão de nomenclatura. Se lhe chamassem outra coisa, se calhar havia menos problema. Mas porque é que havemos de lhe chamar outra coisa? O amor, por exemplo, não é sempre o mesmo? O contrato, por exemplo, não é para ser feito no mesmo propósito?&lt;br /&gt;O problema, parece-me, é que as pessoas gostam muito de meter o nariz onde não são chamadas. Porque é que não compreenderão que cada um sabe de si e que os afectos não escolhem géneros? E que, já agora, se não escolhem géneros, porque é que as pessoas não hão-de poder associar-se como decidirem?&lt;br /&gt;E, só para terminar, "abjecto e aberrante" é reclamar para si o poder de dizer aos outros como é que hão-de viver, o que hão-de sentir e por quem. Sobretudo quando, simultaneamente, esses moralistas reclamam também para si a religião que mais prega o amor ao próximo. Por "piedade e com alegria", metam-se na vossa vida e deixem de se meter na cama e nas casas dos outros!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-8845813375508367643?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/8845813375508367643/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/05/sinonimos-de-tolerancia-abjecto-e.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/8845813375508367643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/8845813375508367643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/05/sinonimos-de-tolerancia-abjecto-e.html' title='Sinónimos de tolerância: &quot;abjecto e aberrante&quot;'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-7092431334864985427</id><published>2010-05-14T11:57:00.001+01:00</published><updated>2010-05-14T11:58:23.702+01:00</updated><title type='text'>Quando a fé não nos arranja um lugarinho a jeito</title><content type='html'>Apesar de o Santo Padre ter vindo a Portugal congregar os fiéis em torno da mensagem... - e afins, que eu não sou do ramo e não sei pôr a coisa de modo mais claro - parece que já começaram (ou pelo já se prometeram) alguns desacatos. Ainda hoje de manhã ouvi na TSF algumas fiéis indipostas porque, depois de horas e desoras de espera para verem Sua Santidade ao vivo e a cores e, de preferência, de bem perto, acabaram por ficar em lugares menos bons de onde, infelizmente, não estavam a ver nada. Um desassossego, está bem de ver e um tremor na voz que indiciava um pezinho no "estou aqui estou a distribuir uns chapadões"...&lt;br /&gt;Bem, voltamos a um clássico. O ser humano é mesmo repleto de contradições. Por um lado, tudo são flores e passarinhos no discurso, e ai que deus que ficamos mais perto do altíssimo e etc. e tal. Por outro, se não me deixam ver tudo com todo o pormenor estão aqui estão ali. &lt;br /&gt;E veja-se como o mundo é injusto: logo eu, que não faço qualquer questão de ver o Papa, estou sempre a tropeçar nele (algum crente poderá até ver aqui uma tentativa de conversão simbólica..., mas não vale a pena irmos por aí, que é tempo perdido): cada vez que ligo a televisão, lá está ele. &lt;br /&gt;Sugestão aos desgostosos e diligentes fiéis: porque não ficarão eles&amp;nbsp;confortavelmente em casa, como eu? Logo veriam o Papa sem qualquer dificuldade... e não se sentiriam na tentação (sempre a um pé do demo) de pespegar umas lamparinas no fiel que teve mais sorte com o lugar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-7092431334864985427?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/7092431334864985427/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/05/quando-fe-nao-nos-arranja-um-lugarinho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/7092431334864985427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/7092431334864985427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/05/quando-fe-nao-nos-arranja-um-lugarinho.html' title='Quando a fé não nos arranja um lugarinho a jeito'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-7573413154213880576</id><published>2010-05-11T21:49:00.004+01:00</published><updated>2010-05-11T22:18:48.885+01:00</updated><title type='text'>E o Estado? Ainda é laico?</title><content type='html'>Hoje deu-me para ser perguntadeira. Isto porque, apesar das celebrações dos 100 anos da República, parece-me que a coisa anda ligeiramente esquecida.&lt;div&gt;Pergunta 1: Foi para isto que mataram o Rei e o príncipe herdeiro? (Não só não mereciam, como não teve interesse nenhum; já para não dizer que andar por aí aos tiros não tem mesmo interesse nenhum. Digo eu.)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pergunta 2 (e anexo): O Estado não é laico? Então porque é que pára tudo por causa do Papa, mesmo os não católicos? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pergunta 3 (e anexo): Não estamos a precisar de maior produtividade? Então porque é que pára tudo por causa do Papa, mesmo os não católicos? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pergunta 4: Porque é que num país que começou à revelia do Papa da altura, agora vai tudo — incluindo o Presidente da República — pedir a bênção a Sua Santidade?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pergunta 5 (em puro exercício de retórica): O que pensaria hoje D. Afonso Henriques de tudo isto?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pergunta 6 (mais um exercício de retórica): Porque é que o Presidente da Câmara de Lisboa ofereceu a chave da cidade a Bento XVI se: 1) ele não vive cá, nem consta que se queira mudar. 2) Ele quando cá vem tem onde ficar e até lhe abrem a porta. 3) A cidade nem sequer tem portas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pergunta 7 (e anexo): Sou só eu ou mais alguém encontra neste estado da nação o reviver de uma estranha trilogia "fado, Fátima e futebol"? (Não necessariamente por esta ordem...). Mas o Estado... ainda é laico?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pergunta 8 (e anexos): Porque é que os líderes dos clubes de futebol foram oferecer camisolas ao Papa? Ainda não perceberam que ele anda sempre vestido da mesma maneira? Ou acham que ele vai usar aquilo quando andar por casa? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pergunta 9: Porque é que os jovens católicos adaptaram um velho êxito disco "You're just too good to be true", cujo refrão é uma histeria de "I love you baby" e afins, quando já se percebeu que o Papa é todo contido e deve gostar mais de Aves Marias do que de remissões para épocas de loucura e sexo desenfreado?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pergunta 10 (e anexo): Porque é que o Prós e Contras (programa da televisão estatal) de ontem só teve Prós? O Estado ainda é laico?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E uma última observação: depois da missa do Terreiro do Paço, uma fiel emocionada dizia que o Papa lhe tinha excedido as expectativas (pelos vistos, eram baixas, porque ainda estava muito ligada à imagem e ao carismo do antecessor) e que esperava que isto fosse bom para Portugal, por trazer esperança e fé. E concluía: porque a fé é a última a morrer. Aqui, ela que me desculpe, mas tenho de me meter. A última a morrer, cara senhora, não é a fé: é a esperança. E, garanto-lho: palavra de agnóstica. Eu esperança tenho sempre. Sou uma optimista nata. Fé é que nem por isso. No meu caso, posso dizer-lhe: a fé foi mesmo a primeira a morrer. Mas,  enfim, se a fé é que nos salva e já que de repente se redescobriram tantos fiéis nesta República (80%, ao que parece; será que sabem todos que não se podem divorciar, que o sexo é só para procriar e que a homossexualidade é doença?), pode ser que venha aí algum milagre. Eu, como digo, não tenho fé, mas como a esperança é mesmo a última a morrer, pode ser que entre todos consigamos um ponto de encontro, lá longe, no tal horizonte hipotético em que duas paralelas se unem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-7573413154213880576?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/7573413154213880576/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/05/e-o-estado-ainda-e-laico.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/7573413154213880576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/7573413154213880576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/05/e-o-estado-ainda-e-laico.html' title='E o Estado? Ainda é laico?'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-2494557302026538603</id><published>2010-05-04T09:21:00.010+01:00</published><updated>2010-05-04T12:10:34.792+01:00</updated><title type='text'>Henrique Grandeiro: a PT - e a comissão de inquérito - em versão "curto e grosso"</title><content type='html'>"Quando se propõe uma coisa a uma senhora, se ela disser não, pode ser talvez; se ela disser talvez, pode ser sim; se ela disser sim, então não é uma senhora". Assim, com todo este rigor e decoro, usou Henrique Grandeiro da palavra, em plena comissão de inquérito. Pouco interessa aqui o contexto (uma vez que o assunto não versava comércio carnal, o contexto - embora referente a negociações entre empresas, comparadas a negociações com senhoras - lança malévola luz sobre a figura e a sua falta de estilo), o que interessa são mesmo as palavras. E o pensamento subjacente. O presidente da PT (não, não é um mero empregado subalterno, é mesmo o presidente) manda bocas. Escusado será também investigar de onde lhe vem um saber tão próximo de casas de passe; provavelmente um "valor" passado em casa, em tradições ancestrais em que as mulheres valiam menos que nada; em que para serem consideradas valia tão-só a sua imagem de senhoras, por oposição à de mulheres: leia-se putas. Mas mais escusado ainda era, em pleno século XXI, vir um presidente de uma das maiores empresas portuguesas, armado de cretinices (ou há um nome mais científico para isto? Ah, misoginia, não é?), ofender de uma penada as mulheres, definindo-as como escusas e, quando finalmente assumidas como seres de direito que sabem o que querem, reduzidas a putas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior? Muitos (todos?) os membros bem pensantes da comissão de inquérito se riram. Riram-se de quê, senhores deputados? Da vossa própria falta de nível? Da mesma falta de nível e seriedade que faz com que percam tempo com vírgulas e outros acessórios para esconder a vossa incapacidade de resolver os problemas do país?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois queixam-se de que o primeiro ministro responde a um deputado (que lhe chamou manso) com um (outro) deselegante "manso é a tua tia". Queixam-se de quê, senhores? Se estão todos perfeitamente bem uns para os outros, incapazes de civilidade e competência, apenas capazes da boca soez e boçal, do riso aparvalhado e insultuoso. Estão à espera de quê para merecerem os lugares que ocupam e o salário que os portuguesas e as portuguesas (nem todas inúteis dondocas, nem todas putas, senhores!) vos pagam? Decoro, senhores e, já agora, tento na língua!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-2494557302026538603?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/2494557302026538603/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/05/henrique-grandeiro-pt-e-comissao-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/2494557302026538603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/2494557302026538603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/05/henrique-grandeiro-pt-e-comissao-de.html' title='Henrique Grandeiro: a PT - e a comissão de inquérito - em versão &quot;curto e grosso&quot;'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-5261110481639281012</id><published>2010-04-19T19:57:00.003+01:00</published><updated>2010-04-19T20:29:31.980+01:00</updated><title type='text'>Uma ferida aberta na memória</title><content type='html'>Há uns anos, quando o célebre Vila publicou o seu livro "Coisas da Terra e do Mar. Sabores da Cozinha Algarvia", Miguel Sousa Tavares escreveu, a propósito, a memória do seu primeiro encontro com o Algarve. E acrescentava depois o seu lamento pela degradação de um território e de uma cultura ímpares. "Ferida aberta na sua memória", escrevia. E de como, de certo modo, a tinha sarado e se tinha reconciliado com o Algarve através desse reencontro com a sua herança gastronómica.&lt;div&gt;Partilho essa memória. E essa ferida. O Algarve — que muitos conhecem das praias e dos bares e pouco mais — tem para mim uma magia única. Que vai da luz, ao perfume único do seu ar, às praias, mas também às serras. Ao cantado das vozes (que tantas vezes os algarvios iludem, como se fosse melhor parecer/soar de outro lado). E, claro, à sua gastronomia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quase 50 anos depois do começo do turismo no Algarve, é já demasiado aflitivo o que a ganância fez àquela e daquela terra. Uma ganância de gente pobre (como dizia o Sérgio Godinho "só se pode querer tudo quando não se teve nada") e uma ganância de gente pobre de espírito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para muitos efeitos, o Algarve, o velho reino que se juntava ao de Portugal, nesses tempos antes da República, continua a ser um lugar à parte. De que o Allgarve é um dos seus mais tristes e ineficazes sintoma e resultado.&lt;div&gt;A crise impera, os algarvios estão aflitos, mas continuam a insistir (como todos nós) em fazer mais do mesmo. Quando é que o Algarve será encarado como um lugar a sério, com cultura própria, com valores próprios? Quando é que o Algarve deixará de oferecer apenas barulho e copos para adolescentes sem dinheiro que apenas querem hamurguers e batatas fritas e apostará em preservar e divulgar a sua história, o seu património? Quando é que os algarvios tomarão nas suas mãos o seu destino e se levantarão com orgulho da sua original cultura?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para já, ficam aqui dois dos seus orgulhos. Dois sites que promovem alguns dos seus tesouros.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;http://www.cgalgarve.com/&lt;/div&gt;&lt;div&gt;http://www.farinhadealfarroba.tk/&lt;/div&gt;&lt;div&gt;À medida que for descobrindo mais, vou partilhando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Isto é só para levantar a lebre. Ou deixar um cheirinho a Algarve.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-5261110481639281012?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/5261110481639281012/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/04/uma-ferida-aberta-na-memoria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/5261110481639281012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/5261110481639281012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/04/uma-ferida-aberta-na-memoria.html' title='Uma ferida aberta na memória'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-6975112742181293141</id><published>2010-04-19T19:15:00.003+01:00</published><updated>2010-04-19T19:31:46.302+01:00</updated><title type='text'>Miúdos, miúdos</title><content type='html'>É verdade: a política, enquanto exercício de… chamemos-lhe uma "dialéctica partidária", deve dar muita chatice, tirar muitas horas de divertimento e saúde. Por isso, a maior parte das pessoas com currículos interessantes, ou seja, com vidas recheadas de experiências profissionais e pessoais que as tornariam elementos de valia para o país, não estão para perder tempo com inutilidades. Restam, por isso, os outros. Alguns desses outros são os históricos. Em alguns casos, também já perderam contacto com a realidade, por se terem deixado ficar demasiado tempo no reino virtual que é o parlamento (e as campanhas e debates vazios, em que, digam o que disserem, façam o que fizerem, não sofrem consequências directas). E os demais são, em muitos casos, os tais meninos que vieram das jotas. Que passaram pelas associações de estudantes. Círculos em que se treinaram não na vida, mas na mera retórica. Que sabe esta gente do mundo do trabalho? Que pode esta gente saber do que quer que seja? Como é que os partidos põem no parlamento putos com tão escassa experiência? Como é que são estes os nossos representantes? &lt;div&gt;Se me perguntarem se quero ir eu para lá, digo já que não. Não tenho tempo nem pachorra para aturar os meandros dos partidos. Com os seus favores, as suas lutas intestinas. Mas tenho pena de que, assim, seja cada vez mais difícil que a política seduza aqueles quem têm conhecimentos e capacidade para fazer alguma coisa, e que continue a ser tão fácil a meia dúzia de miúdos pespinetas  chegar ao Parlamento para mandar uns bitates. E decidir o nosso futuro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-6975112742181293141?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/6975112742181293141/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/04/miudos-miudos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/6975112742181293141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/6975112742181293141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/04/miudos-miudos.html' title='Miúdos, miúdos'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-5073992526788026194</id><published>2010-04-19T18:43:00.002+01:00</published><updated>2010-04-19T18:55:57.778+01:00</updated><title type='text'>A matéria</title><content type='html'>Desculpem, mas deve ser por estar a ouvir o canal Parlamento... Já não posso ouvir falar em matéria! De tanto a usarem, os políticos já esvaziaram a pobre palavra. Matéria, matéria, matéria... Esta matéria, nesta matéria, sobre esta matéria, a propósito desta matéria... torna-se um mero som. Já não quer dizer nada. Aproveito a oportunidade para sugerir sinónimos: assunto, tema, problema, questão, pretexto, campo, motivo, coisa, ponto, caso. Há-de haver outros; vão ver. &lt;div&gt;A propósito: ainda haverá alguém a pensar no tal museu da língua? Tenho uma sugestão. Podem fazê-lo na Assembleia. Já que parte do projecto era pendurar do tecto algumas tiras com frases, podiam simplificar e oferecer umas tiras aos deputados. Até uns papelinhos pequeninos, para poupar papel. Com sinónimos dos vocábulos mais gastos. E, já agora, um email com o link do cuberdúvidas. Como sou simpática, fica já aqui: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;http://www.ciberduvidas.com/&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A língua agradece. Os mais susceptíveis entre nós, também.&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-5073992526788026194?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/5073992526788026194/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/04/materia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/5073992526788026194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/5073992526788026194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/04/materia.html' title='A matéria'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-3635840171668908127</id><published>2010-04-19T18:33:00.002+01:00</published><updated>2010-04-19T18:38:42.521+01:00</updated><title type='text'>Supostamente teria-se sabido...</title><content type='html'>E pronto! Nem o Pacheco Pereira escapa! &lt;div&gt;Acabo de o ouvir dizer, em plena interpelação ao ex-ministro Mário Lino, uma frase que incluía o seguinte mimo gramatical: "supostamente teria-se sabido"... Já nem ouvi mais nada. Ficou só o choque. Que grande chatice... Será que falar mal português é obrigatório entre os políticos... portugueses? Então é assim, Dr. Pacheco Pereira: "supostamente, ter-se-ia sabido". Está bem? Um bocadinho de atenção, por favor... Ou lá se confirmará o adágio de que quem nasce para lagartixa não chega a jacaré... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-3635840171668908127?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/3635840171668908127/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/04/supostamente-teria-se-sabido.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/3635840171668908127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/3635840171668908127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/04/supostamente-teria-se-sabido.html' title='Supostamente teria-se sabido...'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-4168122566996041945</id><published>2010-02-05T23:56:00.003Z</published><updated>2010-02-06T00:15:03.070Z</updated><title type='text'>O país das maravilhas</title><content type='html'>Provavelmente deveríamos andar todos de olhos eternamente deslumbrados. Deveríamos pasmar a cada passo das nossas vidas, em estado de intenso maravilhamento. A sério: acho mesmo isso. Se não for assim, acho que endoideço. Estamos mergulhados numa crise séria, mas em vez de nadarmos ou de, pelo menos, tentarmos não nos afundar, ficamos — cada vez mais próximo do afogamento — apenas a sonhar com um camarote de primeira classe num paquete luxuoso. Claro que com o nosso pendor para o aparvalhamento, a pouca sorte que sempre acompanha a acefalia, o paquete que nos salvasse teria o sinistro nome de Titanic. &lt;div&gt;Estou hermética, não é? Mas é resultado do estado de maravilhamento em que me encontro. Não é caso para menos. Todos sabemos como é difícil e precária a situação financeira em que nos encontramos. E o que fazem os sindicatos e os supostos trabalhadores? Pedem aumentos. Marcham pelas ruas, reivindincando o direito ao milagre. Queremos mais dinheiro. Concordo com eles. Eu também quero mais dinheiro. Também sou funcionária pública. Mas tenho os vícios que trouxe do privado. Tenho os vícios da responsabilização a que me habituaram, desde cedo, os meus pais. Tenho os vícios de ter a mania que o profissionalismo, o brio, são coisas que dão uma pica do caraças. E, além do mais, habituei-me mesmo mal. Como estive 23 anos a recibos verdes, com a precariedade inscrita na minha vida, habituei-me a trabalhar mais. Se queria mais dinheiro, esforçava-me mais. Continuo a fazer isso. Como muitas outras pessoas. Por isso quando há tempos uma colega da função pública me perguntou porque é que eu não sou sindicalizada respondi que não vou pagar a gente que não me representa para me dizerem quando devo ir para a rua mandar bitates. A colega é sindicalista. Não gostou mas teve a delicadeza de não dizer nada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu não tive essa delicadeza. Disse-lhe tudo directamente. Estou farta de tolices. Saem-me do bolso essas tolices. Sou contribuinte. Pago a gente que se arrasta nos serviços, queixando-se do governo (seja ele qual for) e nunca suspeitando ter o próprio destino nas suas mãos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estou cansada. Nem sequer vou enumerar todas as profissões que são pagas pelos nossos impostos e que se demitem, individualmente, das suas responsabilidades. Estou farta. Só os ouço fazer queixinhas. Este país é uma merda. É o que mais se ouve. Quem faz este país? A gente que cá vive. Sinto-me como a personagem do Gato Fedorento: eles falam, falam, falam, falam, mas eu não os vejo fazer nada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Assim os sindicatos. Exigir aumentos em momentos de crise? É aparvalhamento. Perigoso. Imbecil. Alienante. Não os ouço instar os trabalhadores à responsabilidade. À produtividade. É a acefalia dos direitos sem a simetria dos deveres. Merda. Estou farta. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sinto-me como a personagem do Chato dos Contemporâneos. Vão mas é trabalhar. Já não há pachorra. Quero um país real!!!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-4168122566996041945?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/4168122566996041945/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/02/o-pais-das-maravilhas.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/4168122566996041945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/4168122566996041945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/02/o-pais-das-maravilhas.html' title='O país das maravilhas'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-1229429269382335103</id><published>2010-01-24T13:17:00.005Z</published><updated>2010-01-24T13:45:16.251Z</updated><title type='text'>O que aconteceu à publicidade?</title><content type='html'>Há já vários dias (talvez semanas, não posso precisar) que começou a passar na televisão um anúncio com uma música que me faz olhar para o écrã pensando ir ver novidades da IKEA. A banda sonora utilizada (um tema jocoso em que se cantarola um &lt;i&gt;da da da&lt;/i&gt;...) e que me envia de imediato para o slogan "Viva mais a sua casa" serve agora... o Santander Totta. &lt;div&gt;O anúncio da IKEA não tem assim tantos anos para que consigamos dissociar a banda sonora da marca, pelo que, aplicada a outros conteúdos, é um envio automático para outras paragens da imaginação. Ou seja, em termos de marketing, um chamado tiro no pé.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não deixa de ser estranho que, numa época em que globalmente a caça aos criativos é a mais feroz e determinada de todos os tempos (quem duvida tem ampla bibliografia a consultar, sendo o mais mediático dos defensores desta teoria o sociólogo canadiano Richard Florida), a publicidade — área em que eles eram tradicionalmente tão procurados — tenha abandonado essa característica em favor de filmes e músicas descaracterizadas e banais. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Temos noção de que o mercado televisivo já não é o que era, visto que os mais novos vêem cada vez menos televisão, preferindo a internet. Mas não deixa também de ser verdade que um bom anúncio, uma boa campanha faz muito por uma marca. Cria-lhe ícones, ajudando a criar seguidores. Entre os ícones, o som é dos mais relevantes. Patrick Hanlon, no seu livro &lt;i&gt;Primal Branding&lt;/i&gt; explica-o de modo exemplar. E todos nós o reconhecemos. Todos nós sabemos que juntamos a cada momento significativo das nossas vidas a sua banda sonora. Ou, voltando ao assunto da publicidade, a cada marca, a sua identidade. Até há poucos anos, a publicidade era uma área em que se testavam novas formas de contar uma estória, de a filmar, de a musicar. Pelo menos era (e é, ainda) em algumas firmas de referência internacional. Mas, de há uns anos para cá, a displicência tomou conta desta forma de comunicação. Em vez de se investir mais (em épocas de crise a publicidade era sempre a última a sofrer e a primeira a recuperar porque os empresários apostavam nela — cientes do seu poder — as suas últimas cartadas), passou-se a tratar com descaso esta linguagem. O resultado está à vista: os filmes são cada vez menos interessantes, cada vez mais banais. A linguagem é descuidada (os erros de português são constantes e confrangedores). A música é pálida e igual para todos, sem diferenciação. Quando quer ser original, dada a falta de cultura, criam-se aberrações pseudo populares e deprimentes como o colossal disparate da campanha do Pingo Doce, que tendencialmente tem alienado a sua clientela mais exigente. Aquela que, não o colocando no plano de competir com o Continente ou o Jumbo, faz dele, no entando, o "sítio do costume". "Sem cartões, promoções nem outras complicações."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O erro, nisto tudo, nasce da tentativa de poupar. Deixou de se compor para publicidade (e quando agora é feito, sobretudo por gente que desconhece a nossa tradição, como parece ser o caso do dito anúncio do Pingo Doce, os resultados estão à vista), passando os jingles a provir de "bibliotecas" (tradução do inglês "library"; nome estúpido, porque não se trata de livros; devia antes chamar-se a estes bancos de sons fonotecas virtuais). &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Só que, ao poupar, as marcas estão a enterrar-se. Em vez de seguirem a tendência do momento (diferenciação num mercado global cada vez mais voraz), e de andarem atrás dos mais inventivos compositores, para perseguirem uma identidade sonora única, em vez disso tudo caem na tentação do barato. O barato sai caro, como sabemos. E como vemos com este paupérrimo anúncio do Santander Totta. A menos que haja ali uma qualquer vontade de nos indiciar, sonoramente, a indicação de uma qualquer fusão entre as duas marcas. Irá o Santander Totta financiar as nossas transações na IKEA? Não sabemos. O que sabemos é que a confusão impera. E ninguém ganha com isso. Enfim, talvez a IKEA, apesar de tudo. Porque sempre que ouvirmos o jingle no anúncio do Santander, vamos todos pensar "&lt;i&gt;da da da... viva mais a sua casa."&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-1229429269382335103?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/1229429269382335103/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/01/o-que-aconteceu-publicidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/1229429269382335103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/1229429269382335103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2010/01/o-que-aconteceu-publicidade.html' title='O que aconteceu à publicidade?'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-6643648634486909551</id><published>2009-12-07T12:46:00.004Z</published><updated>2009-12-07T13:27:59.322Z</updated><title type='text'>Festejar e programar</title><content type='html'>&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Consolas"&gt;Depois de anos de descaso e abandono, depois da ameaça da extinção, o Museu de Arte Popular parece ter sido, finalmente, salvo. Pelo menos, a avaliar pelas avisadas palavras da Ministra da Cultura. &lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Consolas"&gt;Para quem andou, durante meses a fio, a lutar pela sobrevivência deste projecto foi, seguramente, uma grande vitória. Do ponto de vista do observador interessado, a vitória — ainda que por interpostas pessoas — não foi menor. Fica, entre outras coisas, a lição de que é possível conseguir resultados desde que se lute por eles. E é nesse sentido que venho escrever hoje estas notas. &lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Consolas"&gt;No sábado 20 de Junho, após o último debate em frente ao museu, fiquei, sobretudo, com vontade de poder fazer mais. De poder contribuir um pouco mais não apenas na defesa do museu, para impedir a sua destruição e substituição pelo tal museu da língua, como sobretudo para a sua concretização enquanto MAP. &lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Consolas"&gt;Depois de sair do debate ainda fiquei com amigos numa continuação de troca de ideias e continuei a pensar no assunto. Como investigadora da história dos museus públicos em Portugal, parece-me que, tristemente, a história se repete, se adia, mas nunca se cumpre. E provavelmente por duas razões principais: o eterno descaso do Estado — que tutela mas não gere — e o nosso enquanto cidadãos. Na verdade, como em tudo, também no que à cultura diz respeito continuamos a criticar muito e a fazer muito pouco. Neste aspecto, o MAP motivou como poucos a convergência de esforços de um grupo de cidadãos que — estou convicta —, à parte os méritos do raciocínio informado e culto da actual Ministra levou a bom porto a decisão de parar o disparate absoluto que era o projecto do Museu da Língua naquele local. &lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Consolas"&gt;No entanto, creio que, no geral, continuam a faltar projectos que possam manter a concorrência e a competência (e competitividade) dos museus a funcionar de modo proveitoso para todos. No caso particular do MAP, agora salvo, espero que a imaginação seja posta em campo para manter este salvamento e não apenas para adiar o problema.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Consolas"&gt;O que quero dizer com isto é que, salvo raras excepções, os museus em Portugal têm mostrado escassa capacidade de se vender. Ou seja: de se propor ao público como serviço. Nessa falta de noção da realidade, falham na sua missão mais mediática e depois na intrínseca, já que não conseguindo chamar público (não conseguindo, por isso, manter e aumentar o seu papel como divulgadores de cultura) falharão, mais tarde ou mais cedo, na sua missão de preservação da cultura (como conseguir os meios para se manter?).&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Consolas"&gt;Assim sendo, penso sinceramente que está na altura de pensar os museus como serviços públicos e, por isso mesmo, como facilitadores de experiências diversas. Para tanto, o museu tem de se pensar como espaço multifacetado, em que a partilha do saber é feita de modos vários mas sempre inteligentes, lúdicos e diversificados.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Consolas"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Consolas"&gt;Nesse quente dia de Junho, em frente ao Museu, a Professora Raquel Henriques da Silva lançava um repto provocatório ao afirmar que já que o Estado se queria demitir, que se demitisse de vez e que, nesse sentido, desse espaço a outros. Na sequência, propunha como gestora para esse espaço a Catarina Portas. Concluía que muitos poderiam criticar esta proposta mas que lhe parecia viável.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Consolas"&gt;Devo dizer que concordei completamente. Na realidade, a proposta (que me pareceu desde logo simples, limpa e viável) de pôr a Catarina Portas à frente de um projecto de gestão do Museu, tem toda a lógica por se tratar de uma jovem empresária, com claras apetências culturais, que já deu provas de saber gerir. O que — convenhamos — é muito mais do que muitos directores de museus portugueses (com extensos pergaminhos intelectuais mas fraca noção de realidade) se podem gabar de ser.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Consolas"&gt;De qualquer modo, seja a Catarina Portas ou outra pessoa, o que importaria para este espaço seria, de facto, torná-lo num lugar apetecível. O que, tendo em conta o contexto de inserção urbana, não é difícil. De facto, tratando-se de um espaço de pequenas dimensões, mas estrategicamente colocado naquela que pode muito bem vir a ser a nossa região lisboeta equivalente ao triângulo de ouro de Madrid, tem todas as condições (ainda mais numa época de crise) para poder ser gerido com inteligência, criatividade e arrojo, sem que ainda por cima sejam necessários orçamentos milionários. &lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Consolas"&gt;No entanto, isso não basta. Mas uma equipa empenhada e inovadora poderia tornar este museu nesse espaço apelativo. Vejamos: porque não fazer um projecto (saído do concurso de ideias do grupo que estava à mesa e das jovens promotoras do blog que manteve este sonho em estado de alerta, por exemplo — no que eu puder, enquanto cidadã e investigadora, estou desde já disponível para ajudar, também) científico, comercial e turístico para o museu (ou seja, dotado de um claro empreendorismo cultural, algo de que hoje tanto se fala como gerador de riqueza, como tão bem tem defendido o Richard Florida, entre outros) e convidar como parceiros mecenas várias entidades não concorrentes (ou mesmo concorrentes desde que "aconselhadas" mesmo que compulsivamente pela Administração do Porto de Lisboa)? &lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Consolas"&gt;Porque não avançar com a proposta referida nesse dia 20, mesmo que em maquete, do Arquitecto Victor Mestre, e com um projecto científico com contornos concretos, incluindo uma equipa disponível para organizar exposições temporárias, um catálogo de publicações, organização de documentação, etc., mais o tal projecto de gestão (já com alguns mecenas contactados e disponíveis)? Porque não apresentar uma "alternativa ao aeroporto"?&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Consolas"&gt;O optimismo que todos manifestaram nesse dia 20 de Junho deu frutos, como se vê. Pelo menos, travou-se a disparatada ideia do Museu da Língua e a irresponsável ideia da aniquilação deste projecto único (diferenciação a ser usada positivamente num mundo cada vez mais sedento de projectos únicos!). Como optimista por natureza, o optimismo parece-me a única via possível. Mas, para que ele não se transforme numa alucinação (como bem Lembra o António Câmara), é necessário concretizar de modo pragmático. Citando ainda José Gil, o pragmatismo é o que falta ao sonho em Portugal; e convém não ser esquecido sob pena de minar tudo à partida. &lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Consolas"&gt;Por isso, faço um apelo: o grupo que se propuser à reanimação do MAP que avance com um projecto concreto, atrevido, interessante e capaz de boa saúde. Que não se esqueça de seduzir, além do público interno, os agentes turísticos, os investigadores e os diletantes. A arte popular é atractiva por si. Não a percam com discursos fechados. E, sobretudo, estudem-na, sim, mas divulguem-na bem. A comunicação hoje é determinante. Para terminar, só um lembrete histórico: em 1882, organizou-se em Portugal a primeira grande exposição de arte. Chamou-se "Exposição Retrospectiva de Arte Ornamental Portuguesa e Espanhola". Teve, pela primeira vez em Portugal, luz eléctrica e outras atracções. Recebeu 100.000 visitantes e teve eco na imprensa de vários países da Europa. Mas, ainda assim, menos do que poderia ter tido. Como escreveu então um enviado francês: "os portugueses sabem fazer, mas não sabem divulgar." Que o erro sirva para não ser repetido.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Consolas"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Consolas"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Consolas; min-height: 15.0px"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Consolas; min-height: 15.0px"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-6643648634486909551?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/6643648634486909551/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/12/festejar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/6643648634486909551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/6643648634486909551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/12/festejar.html' title='Festejar e programar'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-5205170287503204188</id><published>2009-12-06T13:11:00.003Z</published><updated>2009-12-06T14:00:51.458Z</updated><title type='text'>A avaliação de professores</title><content type='html'>&lt;div&gt;Depois de mais de um ano em que os problemas da educação se resumiram a braços de ferro, àcerca da avaliação dos professores e outros aspectos específicos da profissão, entre governo e sindicatos, parece que tudo vai recomeçar. O que é extraordinário nisto é que, depois de 30 anos, se permitiu que os que trabalham no sistema educativo o moldassem à medida dos seus interesses e a discussão sobre educação continua centrada nos problemas específicos duma profissão. Em vez de estarmos a debater como vamos dar a volta a um sistema que produziu resultados medíocres e que está a piorar, como reconhecem os especialistas, somos bombardeados com notícias sobre problemas técnicos que não temos competência para julgar e que nos interessam tanto como os problemas da minha carreira (ou de qualquer carreira) interessam aos professores. O que devia mobilizar o governo os media e a opinião pública era como mudar um sistema de ensino que vem do século XIX, feito à medida da revolução industrial, e que se mantém basicamente igual no século XXI. Em vez de formarmos alunos para trabalhar em fábricas, devíamos ter em conta o que vai ser preciso no presente e no futuro próximo. Questões como a criatividade, o autoconhecimento, o empreendedorismo, a excelência, a ligação ao mundo do trabalho, a que a escola actual não só não dá resposta, como muitas vezes inibe, deviam estar no centro de todas as atenções. Vale a pena conhecer e discutir as opiniões de Nuno Crato, António Câmara ou Ken Robinson sobre educação. Não vale a pena e já não tenho paciência para mais notícias de braços de ferro entre a Fenprof e o governo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-5205170287503204188?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/5205170287503204188/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/12/avaliacao-de-professores.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/5205170287503204188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/5205170287503204188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/12/avaliacao-de-professores.html' title='A avaliação de professores'/><author><name>Artur Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03170008940471082777</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-1219484419235337024</id><published>2009-12-01T14:02:00.001Z</published><updated>2009-12-01T14:03:13.974Z</updated><title type='text'>Irmão rico, irmão pobre</title><content type='html'>&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;h1&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:Arial, serif;font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 16px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpFirst" style="text-align:justify;line-height:24.0pt"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, serif; "&gt;O verbo haver tem uma história digna de romance. Até pode ser de cordel, mas ainda assim, romance. Equivalente — embora com menos enredo, é certo — do homem rico, homem pobre. No caso, através de dois usos distintos, um literário, outro vulgar: o primeiro com o sentido de ter, e o outro com o de existir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="text-align:justify;line-height:24.0pt"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;No primeiro caso, com o sentido de ter, é usado nos tempos compostos dos verbos, como, por exemplo: quando ela chegou à escola já os colegas &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;haviam&lt;/i&gt; chegado. Claro que é muito mais frequente (especialmente ao falar) dizer &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;tinham&lt;/i&gt; chegado do que &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;haviam&lt;/i&gt; chegado. Mas ambos os verbos estão correctos e em ambos os casos o verbo auxiliar (ter ou haver) é conjugado de acordo com o número do sujeito (ele havia/tinha chegado; eles haviam/tinham chegado).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="text-align:justify;line-height:24.0pt"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;O raro uso oral do verbo haver, como sinónimo de ter, não deixou, porém, de lhe trazer confusões na vida da versão homem pobre, ou seja, na sua vulgaríssima utilização de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;existência&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="text-align:justify;line-height:24.0pt"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;É assim que este parente pobre vai aparecendo, com cada vez maior frequência, conjugado nas suas formas plurais. Coisas do género: naquele filme &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;haviam&lt;/i&gt; muitos actores bons. Ou: &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;houveram&lt;/i&gt; muitas cheias no Inverno passado. Ou ainda: &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;hão-de haver&lt;/i&gt; muitas pessoas na praia este fim-de-semana. E por aí fora. Ora é aqui que reside o problema. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="text-align:justify;line-height:24.0pt"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;O verbo haver, enquanto afirmação de existência, não funciona no plural. Por uma razão simples: esse plural não existe. Não há. Em caso de cepticismo aconselha-se a consulta a um dicionário de verbos. Mas talvez não seja necessário para acabar com essa dúvida. Pense simplesmente o leitor incrédulo: quando usa o verbo no presente, para indicar a presença de muitas pessoas numa sala, diz "&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;há&lt;/i&gt; muitas pessoas na sala" ou "&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;hão&lt;/i&gt; muitas pessoas na sala"? É de crer que a segunda hipótese esteja afastada. Então porque insistirá em afirmar que "&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;haviam&lt;/i&gt; muitas pessoas" em vez do correcto "&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;havia&lt;/i&gt;"? Ou "&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;houveram&lt;/i&gt;" em vez do correcto "&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;houve&lt;/i&gt;"? Ou "&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;hão&lt;/i&gt;-de haver" ou "&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;haverão&lt;/i&gt;", em ver dos correctos "&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;há&lt;/i&gt;-de haver" e "&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;haverá&lt;/i&gt;"?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="text-align:justify;line-height:24.0pt"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;Não há pois margens para dúvidas. &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Haviam&lt;/i&gt;, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;houveram&lt;/i&gt;, &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;haverão&lt;/i&gt; e outros que tais são manifestações de existência — ou de não-existência, aliás, — a evitar a todo o custo. Como as más companhias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="text-align:justify;line-height:24.0pt"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;Compreende-se facilmente a confusão, devido ao uso literário do verbo enquanto auxiliar, nos tempos compostos — aí sim, como já vimos, devidamente conjugado em singulares e plurais, de acordo com o sujeito da frase. Quanto ao mais, também já vimos: haver, enquanto sinónimo de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;existir&lt;/i&gt;, é sempre absolutamente singular. &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Há, houve, havia, tinha havido, houvera, vai haver, haverá, haveria, haja, houvesse, houver, tenha havido, tivesse havido, tiver havido, havendo, havido&lt;/i&gt;. Ou seja: em todos os tempos, passados, presentes e futuros, sejam eles simples ou compostos, enquanto verbo independente (e não enquanto auxiliar de outros, com o sentido de ter), o verbo &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;haver&lt;/i&gt; é sempre singular. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="text-align:justify;line-height:24.0pt"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;Podemos mesmo dizer que é único. Ou original. O que quisermos. Desde que, de hoje para o futuro, não ignore o leitor essa especificidade verbal, pontapeando a língua e ofendendo o irmão pobre que, lá por não ser literário, não merece destrato.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="text-align:justify;line-height:24.0pt"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;&lt;o:p&gt;  &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="text-align:justify;line-height:24.0pt"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;Emília Ferreira&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="text-align:justify;line-height:24.0pt"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-1219484419235337024?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/1219484419235337024/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/12/irmao-rico-irmao-pobre.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/1219484419235337024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/1219484419235337024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/12/irmao-rico-irmao-pobre.html' title='Irmão rico, irmão pobre'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-3723195989091263119</id><published>2009-12-01T13:48:00.002Z</published><updated>2009-12-01T13:55:08.305Z</updated><title type='text'>Aonde vais rio que eu canto</title><content type='html'>&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:200%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial, serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt; &lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial, serif;"&gt;&lt;p class="MsoNormalCxSpFirst" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination:none; mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;Todos temos presente aquela célebre história que envolve o famigerado Bocage. Passando ele uma noite na rua do Crucifixo, após as 22h00, foi interpelado por um polícia do Intendente que, de arma em punho, lhe perguntou em tom intimidador:&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt;line-height:150%;font-family:Georgia; mso-bidi-font-family:Georgia;mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination:none; mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;— Quem és, donde vens e para onde vais?&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt;line-height:150%;font-family: Georgia;mso-bidi-font-family:Georgia;mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language: EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination:none; mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;Ao que ele respondeu:&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt;line-height:150%;font-family:Georgia; mso-bidi-font-family:Georgia;mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination:none; mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;— Sou o poeta Bocage, venho do café Nicola e vou para o outro mundo se disparas a pistola…&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt;line-height:150%;font-family:Georgia; mso-bidi-font-family:Georgia;mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination:none; mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;Não traz esta história o propósito de recordar outros episódios mais ou menos interessantes da vida do poeta, mas simplesmente o de lembrar a existência de um advérbio que vem sendo muito ignorado nos últimos tempos. Trata-se do "onde", cujas funções, já de sim importantes e pesadas, lhe têm sido alargadas sem que a sua tradicional ajuda preposicional lhe continue a ser prestada. Em época de crise, os despedimentos aumentam, é sabido, mas daí a despedir, sem justa causa, uma preposição, já é de mais.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt; line-height:150%;font-family:Georgia;mso-bidi-font-family:Georgia;mso-font-kerning: 0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination:none; mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;Atente-se, então.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt;line-height:150%;font-family:Georgia; mso-bidi-font-family:Georgia;mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination:none; mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;Onde&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family: Arial;mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt; indica o &lt;i&gt;lugar em que; no qual lugar&lt;/i&gt;. Sabemos que isso não traz complicações especiais, embora momentos haja, na vida de cada um, em que não se sabe muito bem quem se é, quanto mais onde se está. Mas não estamos aqui para falar disso. Voltemos atrás: &lt;i&gt;onde&lt;/i&gt; refere o &lt;i&gt;lugar em que.&lt;/i&gt; Ou seja: o lugar em que se &lt;i&gt;está&lt;/i&gt;. Mas é sabido que todo o mundo é composto de mudança, como dizia Camões, e que parar é morrer — como diz o povo. Ora, não apenas para concordar com o poeta mas porque a vida é mesmo assim, é preciso que as pessoas se movam. E como todos nós gostamos de contar histórias, é preciso também que depois tenhamos utensílios linguísticos ao dispor. Foi assim que o advérbio &lt;i&gt;onde&lt;/i&gt; se muniu de ajudas, quando teve de começar a trabalhar com verbos de movimento, como o ir e o vir. E essas ajudas não são de somenos. Que o digam as companhias de transportes.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt;line-height:150%; font-family:Georgia;mso-bidi-font-family:Georgia;mso-font-kerning:0pt; mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination:none; mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;Foi assim que o dito advérbio se rodeou das preposições &lt;i&gt;de, para &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;. Com a preposição &lt;i&gt;de&lt;/i&gt; resolveu trabalhar em conjunto com o verbo vir. Com as outras duas criou uma sociedade com o verbo ir. Desse modo conseguiu prosperar e passou a ser mais que um simples advérbio parado no mesmo sítio, sem ir a lugar algum.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt;line-height:150%;font-family:Georgia; mso-bidi-font-family:Georgia;mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination:none; mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;Deixou de ser simplesmente o:&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt;line-height:150%;font-family:Georgia; mso-bidi-font-family:Georgia;mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination:none; mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;— Onde estás agora?&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt;line-height:150%;font-family:Georgia; mso-bidi-font-family:Georgia;mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination:none; mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;Para passar a ser mais curioso (nalguns casos, até bisbilhoteiro) e ficar a saber mais:&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt;line-height:150%;font-family:Georgia; mso-bidi-font-family:Georgia;mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-top:0cm;margin-right:0cm;margin-bottom: 0cm;margin-left:24.0pt;margin-bottom:.0001pt;mso-add-space:auto;text-align: justify;text-indent:-24.0pt;line-height:150%;mso-pagination:none;mso-layout-grid-align: none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt;line-height: 150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial;mso-font-kerning:0pt; mso-ansi-language:EN-US"&gt;—   &lt;i&gt;De&lt;/i&gt; onde (ou &lt;i&gt;d&lt;/i&gt;onde) vens?&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt;line-height:150%;font-family:Georgia; mso-bidi-font-family:Georgia;mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination:none; mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;E:&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Georgia;mso-bidi-font-family:Georgia; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination:none; mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;— &lt;i&gt;A&lt;/i&gt;onde vais?&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt;line-height:150%;font-family:Georgia; mso-bidi-font-family:Georgia;mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination:none; mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;Ou, em caso de maior demora, ou simples indicação de direcção:&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt; line-height:150%;font-family:Georgia;mso-bidi-font-family:Georgia;mso-font-kerning: 0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination:none; mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;— &lt;i&gt;Para&lt;/i&gt; onde vais?&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt;line-height:150%;font-family:Georgia; mso-bidi-font-family:Georgia;mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination:none; mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;Este trabalho de grupo não é recente. Existe há muito, suspeita-se que desde o tempo em que o latim se formou, continuando gloriosa carreira ainda viçosa ao tempo de Bocage, como pudemos ver acima, pela referida história.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Georgia;mso-bidi-font-family:Georgia; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination:none; mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;Claro está que, ao longo dos séculos, muita coisa tem mudado na língua. E algumas formas menos correctas têm surgido no falar. Uma delas, a criativa mas inexpressiva &lt;i&gt;adonde,&lt;/i&gt; que nos seus dois movimentos contrários (um &lt;i&gt;de&lt;/i&gt; e outro &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;) acaba por deixar o pobre &lt;i&gt;onde&lt;/i&gt; paralisado, sem poder dizer nada nem ir a lado algum. Além disso, e como uma desgraça nunca vem só, essa forma ignara e atrevida logrou amedrontar muita gente que, no receio de cair em asneira, decidiu tirar a preposição &lt;i&gt;a&lt;/i&gt; de perto do advérbio &lt;i&gt;onde&lt;/i&gt;. E foi assim que surgiu a moda do:&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt; line-height:150%;font-family:Georgia;mso-bidi-font-family:Georgia;mso-font-kerning: 0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination:none; mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;— Onde vais?&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt;line-height:150%;font-family:Georgia; mso-bidi-font-family:Georgia;mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination:none; mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;Esta moda espalhou-se como a peste. Teve mesmo o seu hino. Lembram-se do "Onde vais rio que eu canto"? Enfim, os mais velhos talvez. Mas adiante! Depois das canções, avançou terreno. Chegou à comunicação social, até à literatura. E instalou-se com ares de sapiência. Ao ponto de hoje se duvidar do bem falar daqueles que insistem na forma correcta. Desses “excêntricos” se diria serem dotados de um fervor quase clássico. De facto, quando um desses espécimes raros põe no ar um certíssimo "aonde vais?" logo uma multidão de olhares contristados o brindam com uma muda acusação de incultura. Numa onda assumidamente quixotesca, portanto, venho aqui manifestar solidariedade para com esses valentes que ousam ainda apostar na correcção gramatical. Recapitulando.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt;line-height:150%;font-family:Georgia; mso-bidi-font-family:Georgia;mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination:none; mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;Onde vais&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family: Arial;mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;, infelizmente, não significa nada. Não se vai &lt;i&gt;onde&lt;/i&gt;, vai-se &lt;i&gt;a&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;para&lt;/i&gt;. Portanto, teremos de inquirir: &lt;i&gt;para &lt;/i&gt;onde vais? Ou: &lt;i&gt;aonde &lt;/i&gt;vais? Pelo menos se nos quisermos referir ao movimento, e não ao meio de transporte. Nesse caso posso dizer que vou &lt;i&gt;no&lt;/i&gt; comboio das sete, mas também não estarei a responder &lt;i&gt;onde&lt;/i&gt; vou, mas &lt;i&gt;como&lt;/i&gt; vou, &lt;i&gt;em&lt;/i&gt; que meio de transporte. E aí teremos nova preposição: &lt;i&gt;em&lt;/i&gt;. Mas aí a história já será outra. Talvez noutro dia. Noutro lugar onde.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Georgia;mso-bidi-font-family:Georgia; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination:none; mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt;line-height:150%;font-family:Georgia; mso-bidi-font-family:Georgia;mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%;mso-pagination:none; mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size:16.0pt;line-height:150%;font-family:Georgia; mso-bidi-font-family:Georgia;mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt; mso-add-space:auto;text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 16.0pt;line-height:150%;font-family:Arial;mso-bidi-font-family:Arial; mso-font-kerning:0pt;mso-ansi-language:EN-US"&gt;Emília Ferreira&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;   &lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-3723195989091263119?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/3723195989091263119/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/12/aonde-vais-rio-que-eu-canto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/3723195989091263119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/3723195989091263119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/12/aonde-vais-rio-que-eu-canto.html' title='Aonde vais rio que eu canto'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-2223365634665330773</id><published>2009-12-01T00:50:00.003Z</published><updated>2009-12-01T01:23:15.926Z</updated><title type='text'>O direito à frivolidade</title><content type='html'>Vem este post na sequência de um comentário benévolo de uma amiga, por ocasião da minha reentrada em cena no Hipericão. Nem de propósito, essa reentrada tomava como pretexto os dislates da Maitê, mas defendendo (ainda que de passagem) o princípio de que o riso é sinal de inteligência e não de tolaria. &lt;div&gt;Sempre me desgostaram os bem-pensantes que mantêm, com segurança idiota (também tenho direito ao meu ponto de vista), que o riso é mais constante na boca dos tolos. Ao contrário desses ingénuos, estou com Bergson quando afirma que numa sociedade de inteligências puras poderíamos deixar de chorar, mas seguramente não deixaríamos de rir. Mas a que vem esta conversa sobre o riso, se o comentário da amiga se limitava a saudar o meu regresso ao Hipericão, espaço no qual, ao contrário do Facebook, eu (tento) dar parte do melhor de mim, em vez das frivolidades que por lá disparo? Justamente para lembrar esse direito inalienável do disparate. Aliás, convém aqui relembrar que essa é uma das funções do fb: o aligeiramento do comentário, a boca dita de passagem, a brincadeira. Numa palavra, a leveza própria de uma rede social que não tem pretensões a mais do que isso. Há quem por lá ande à procura de amizade, outros de amor, outros de sexo, outros de cusquice, outros de relações profissionais em rede. Este último é o meu caso. Mas por lá andam também várias pessoas com as quais mantenho há anos relações de amizade especialmente quentinhas. E outras que conheci no meio das linhas do fb e com as quais troco não mais do que frivolidades amigáveis. Na melhor das hipóteses, pequenas polémicas. E pequenas porque o próprio espaço disponível para comentários tem um número muito reduzido de caracteres. Por muito que se tenha poder de síntese, este raramente aparece sem trabalho e muito menos no improviso de uma observação feita de passagem...&lt;div&gt;Em defesa deste argumento — o direito à frivolidade — devo dizer que já em miúda me irritavam as pessoas que sentiam a necessidade de compor a toda a hora uma imagem contida e irrepreensível de intelectualidade. Bem-pensantes 24 sobre 24 horas, nunca davam descanso à imagem; como alguns são incapazes de se apresentar sem gravata ou de andar descalços. Quando fui estudante de Filosofia, uma das minhas maiores decepções foi o grau de vaidade intelectual de muitos dos meus colegas, longe do que eu pensara dever ser um curso de Filosofia assente nos princípios socráticos do auto-conhecimento e da célebre máxima "só sei que nada sei".  A pica que essa ignorância me dava era exactamente a necessidade de a ultrapassar, ainda que sabendo que ela sairia sempre vencedora. Nunca me deu para fazer de conta que sabia tudo, que era super-séria e super-contida e super-qualquer coisa mais. E, por isso mesmo, como uma certa personagem da Anaïs Nin que tomava banhos de lua sobretudo por lhe terem dito que era perigoso, também eu cultivei ainda mais o riso em ambientes de hiper-controle. Devo dizer que, até hoje, nada me dá mais vontade de dizer disparates do que ambientes de excessiva (deslocada) solenidade. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sei muito bem os custos que isso comporta. Há sempre quem esteja pronto para corroborar o velho mito do "muito riso pouco siso". Mas já passei dos 40. Já estou quase nos 50. Não quero saber. Mas, ainda assim, julgo que devo ainda um esclarecimento: todos nós precisamos de escapes. Eu não fumo, não bebo (ou o que bebo é tão insignificante que não conta), mas rio. Rio com vontade e qualquer garrafa de água do Luso ou do Fastio ou de Monchique ou da torneira é combustível suficiente para isso. Rio e passo e digo disparates. Ou escrevo-os. No fb. Que é um espaço possível para isso. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alguns poderão perguntar: pode uma escritora dar-se a esse luxo? Respondo-lhes: na vida, sim. Nos livros, depende. Porque os livros de um escritor, como já disse Proust, são melhores do que os escritores. Se o contrário acontecer, se o escritor for melhor do que o livro, é porque o seu livro não é um livro. Tinha razão, o Proust. Porque na vida, somos. Com falhas, com enxaquecas, com insónias, com dores de barriga, com o que seja. Nos livros, transcendemo-nos. Porque do pior de nós projectamos algo de diferente. E limamos e limamos e limamos. Até se tornar o mais próximo possível da gema. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fora dos livros, fora das teses e das críticas de arte, o escritor é tão humano como qualquer outro. Concedamos-lhe esse direito. O direito à frivolidade. Para que ele não tenha de a carregar intacta quando chegar a hora mais aguda. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-2223365634665330773?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/2223365634665330773/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/12/o-direito-frivolidade.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/2223365634665330773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/2223365634665330773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/12/o-direito-frivolidade.html' title='O direito à frivolidade'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-4327470947172444897</id><published>2009-10-20T00:39:00.004+01:00</published><updated>2009-10-20T00:47:27.817+01:00</updated><title type='text'>A cultura e a educação a quem as cultiva</title><content type='html'>Está para breve o novo governo. José Sócrates mantém alguns ministros mas guarda algumas surpresas. Temendo as más surpresas, venho lançar um apelo directo do fígado e do coração. E, sobretudo, da razão:&lt;div&gt;Por favor, Sr. Primeiro Ministro, não nos surpreenda mal na Cultura nem na Educação. Nesta, já basta de dislates. Já não temos mais crédito para pagar tanta asneira. Para custear o que vai ser o dívida de gerações e oportunidades perdidas. E na outra, tão pouco cultivada, que haja mais do que belas melenas. Alguém que perceba aquilo que outros já compreenderam há décadas: que a cultura gera riqueza. Não deixem de investir na que já se sabe ser a nova indústria promissora, a fonte de riqueza e valorização do século XXI.  Vá lá! Sabemos que é difícil escolher bem. Mas custa bem menos do que escolher mal. Pelo menos, a longo prazo. Uma prendinha, por favor. Ministros com visão. Vá lá! Estamos precisados.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-4327470947172444897?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/4327470947172444897/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/10/cultura-e-educacao-quem-as-cultiva.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/4327470947172444897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/4327470947172444897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/10/cultura-e-educacao-quem-as-cultiva.html' title='A cultura e a educação a quem as cultiva'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-4564977225547738700</id><published>2009-10-14T13:52:00.007+01:00</published><updated>2009-10-14T14:17:52.105+01:00</updated><title type='text'>O riso</title><content type='html'>Tradicionalmente, o riso é mal considerado. Diz-se, popularmente, que "muito riso, pouco siso". Não é preciso acrescentar mais nada. Todos nós sabemos que quem ri muito é, por regra, desconsiderado do grupo dos bem pensantes. Mas, actualmente também sabemos que rir é sinal de compreensão. De inteligência. Rimos de alguém ou de alguma coisa porque notamos no objecto do nosso interesse momentâneo um desacerto qualquer. O riso exige capacidade de análise, conhecimento, envolvimento. É, por isso, complexo. Mais complexo do que as lágrimas. Qualquer actor confirmará que é mais difícil fazer rir do que chorar.&lt;br /&gt;Hoje em dia até sabemos que rir limpa o fígado (é assim a modos que um hipericão sem o gosto peculiar da erva). Aliás, já os árabes clássicos diziam que, para viver até aos 100 anos, era necessário rir "trinta vezes ao dia". Excelente exercício aeróbico, há quem o defenda e pratique como profiláctico da asma (embora, como asmática, eu saiba como é difícil rir no meio de uma crise...) e quem o indique como o mais eficaz dos processos para reafirmar os abdominais. Só vantagens, portanto.&lt;br /&gt;Ainda assim, e porque o humor é complexo, há risos e risos. Não falo dos risos amarelos, dos escarninhos, do riso que se faz só com os dentes sem que nada aflore aos olhos. Falo, simplesmente, do clic que nos leva a soltar uma gargalhada. Diferenças culturais estabelecem fronteiras por vezes intransponíveis. Também todos sabemos disso. Mas sabemos ainda mais: apesar de haver muitos tipos de humor, há fundamentalmente dois grandes grupos. O humor segregador (o das piadas fáceis mas necessariamente rasteiras e pouco inteligentes - racistas, sexistas, xenófobas e outros mimos...) e o agregador. O agregador é o mais difícil. Porque parte de si (do riso sobre si mesmo e, depois, para os outros, como iguais... mesmo que risíveis nas suas idiossincrasias) para unir (para reflectir) e não para humilhar. Humilhar é fácil. Qualquer imbecil o pode fazer (por isso fiz o meu exercício de ontem, generalizando sobre os brasileiros, para provar esse ponto de vista). Não é, por isso mesmo, motivo de orgulho mas, em tempos de facilitação de conteúdos, compreende-se que seja o que mais vende em televisão, sobretudo em programas de grandes e pouco exigentes audiências como aquele para o qual a Maitê fez a idiota farsa da turista moderna e ultrajada.&lt;br /&gt;Repito: o que ela fez é fácil. Qualquer idiota o faria - como se comprovou. Difícil é fazer o que fazem os verdadeiros profissionais do riso. Como fazem os Gato Fedorento. Os Contemporâneos. As Produções Fictícias. E mais alguns. Como os alentejanos em geral. Provavelmente, os portugueses com maior capacidade de rir de si mesmos. Mas isso, naturalmente, não está ao alcance de todos. E, naturalmente, convém não confundir o que é rir de si mesmo com outra coisa como gozar com os outros através do achincalhamento.&lt;br /&gt;Isto tudo para acrescentar ao meu irritado post de ontem que uma coisa é nós dizermos mal de Portugal, outra, muito diferente, é uma idiota qualquer (venha ela de onde vier), ignorante e delambida, vir dizer aleivosias sobre nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-4564977225547738700?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/4564977225547738700/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/10/o-riso.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/4564977225547738700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/4564977225547738700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/10/o-riso.html' title='O riso'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-667739679982458710</id><published>2009-10-14T01:00:00.002+01:00</published><updated>2009-10-14T01:00:27.927+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 13px; color: rgb(51, 51, 51); "&gt;Vejo muita gente espantada com o vídeo de Maité Proença. Só quem não teve no Brasil uma relação mais próxima do que um superficial relacionamento de turista, não apanhou com um chorrilho de anedotas ofensivas sobre portugueses, que demonstram, além duma enorme falta de educação, o que grande parte dos brasileiros pensa sobre nós. A mim não é a falta de respeito, a ignorância, o cinismo imbecil chico-esperto que eles demonstram que me choca. A mim choca-me que nós, um povo com quase mil anos de história e de cultura, sejamos tão permeáveis a tanta porcaria que eles diariamente nos impingem, sem qualquer contrapartida.&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"    style="font-family:'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif;font-size:100%;color:#333333;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"    style="font-family:'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif;font-size:100%;color:#333333;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;Artur Costa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-667739679982458710?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/667739679982458710/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/10/vejo-muita-gente-espantada-com-o-video.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/667739679982458710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/667739679982458710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/10/vejo-muita-gente-espantada-com-o-video.html' title=''/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-7346868331784042670</id><published>2009-10-14T00:12:00.003+01:00</published><updated>2009-10-14T00:36:58.814+01:00</updated><title type='text'>A má educação e a cobardia</title><content type='html'>Maité Proença, uma actriz brasileira que, como tantos colegas e compatriotas seus, tem sido muito acarinhada pelo povo português, resolveu fazer uma brincadeira. Resolveu vir para Portugal fazer piadas sobre os portugueses, o seu património e as suas falhas imensas. Disso se riu muito e com ela riram as colegas do programa de televisão para o qual foram filmadas imagens que tanto irritaram os visados. Faço parte desse grupo. Agora, uma Maité oportunista vem dizer que era tudo uma brincadeira. Não precisava de o fazer. Uma ofensa reiterada não é menos ofensa por isso. Já nos tinha chamado estúpidos. Não precisava de o fazer duas vezes. &lt;div&gt;Vamos agora explicar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não, Maité. Insulto não é piada. Racismo não é piada. Se não, vejamos: coloquemos as coisas ao contrário. Todos os brasileiros são estúpidos, feios e ignorantes. E não sabem falar com correcção o português que, quando falado pelos seus criadores, nem é entendido no Brasil, onde muitos dos nativos acreditam piamente falar uma língua que eles próprios inventaram. Aliás, nem é preciso ir só ao inacreditável nível de analfabetismo e miséria da população que vive abaixo do nível da pobreza mais vil e gasta o que tem e o que não tem para sambar no Carnaval. Ou que trata mais do corpo que do espírito, como se percebe também pela carinha laroca da Proença que nunca cuidou de cultivar mais o recheio da cabecinha. Basta ouvir colegas seus das novelas a usar mal o futuro do conjuntivo do verbo ver, por exemplo. (Não, quiridá, a gramátchica, por inquanto, ainda é iguau...) Como basta ouvir os dislates que a loira diz para perceber que ela nunca pôs em contacto os dois neurónios.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tá vendo como é fáciu, quiridá? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agora uma perguntinha: porque insistem tanto os brasileiros em insultar os portugueses, à custa da imigração que lhes levou os manéis padeiros? Será que fazem o mesmo em relação aos imigrantes itialianos, aos japoneses e a tantos outros que para lá foram no princípio do século XX à procura de melhor vida, exactamente como eles hoje fazem com Portugal, este país de merda no qual estes supostos bem pensantes vêm ganhar dinheiro e cuspir na sopa? Qual é o problema que têm connosco? À parte explicações pseudo-freudianas, para as quais me estou nas tintas, sobretudo neste momento, há um lado de irritação que as desculpas da loirinha não apagam. Apetece-me dizer simplesmente que vá lá ser mal educada na terra dela, ignorante na terra dela e cobarde na terra dela. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aqui já temos muitos, será certo. Mas não tão arrogantes. Talvez por apesar de sermos muito manéis padeiros não sermos assim tão ignorantes.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-7346868331784042670?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/7346868331784042670/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/10/ma-educacao-e-cobardia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/7346868331784042670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/7346868331784042670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/10/ma-educacao-e-cobardia.html' title='A má educação e a cobardia'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-7593920983438409882</id><published>2009-10-09T00:53:00.001+01:00</published><updated>2009-10-09T00:54:41.988+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; color: rgb(51, 51, 51); "&gt;&lt;div class="UIStream" style="height: auto; "&gt;&lt;div id="div_story_1052987942_169480941400" ft="{&amp;quot;sty&amp;quot;:&amp;quot;22&amp;quot;,&amp;quot;actrs&amp;quot;:&amp;quot;1801772916&amp;quot;,&amp;quot;fbid&amp;quot;:&amp;quot;169480941400&amp;quot;}" class="UIStory UIIntentionalStory aid_1801772916 UIStory_First" style="background-color: rgb(255, 255, 255); border-top-width: initial; border-top-style: none; border-top-color: initial; margin-bottom: 7px; min-height: 50px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 60px; position: relative; margin-top: 0px; "&gt;&lt;div class="UIIntentionalStory_Header"&gt;&lt;h3 class="UIIntentionalStory_Message" ft="{&amp;quot;type&amp;quot;:&amp;quot;msg&amp;quot;}" style="font-size: 13px; color: rgb(51, 51, 51); margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; font-weight: normal; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; "&gt;Santana Lopes não cessa de nos surpreender. Primeiro quer mais túneis em Lisboa. Para agilizar (diz ele) o trânsito. Depois, afirma que pretende taxar os carros em Lisboa. Coitado do Santana Lopes. A lógica não passou por ali.&lt;/h3&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="commentable_item_1052987942_169480941400" class="commentable_item no_comments autoexpand_mode comment_form_169480941400" comment="{&amp;quot;source&amp;quot;:&amp;quot;1&amp;quot;,&amp;quot;target_fbid&amp;quot;:&amp;quot;169480941400&amp;quot;,&amp;quot;target_owner&amp;quot;:&amp;quot;1801772916&amp;quot;,&amp;quot;target_owner_name&amp;quot;:&amp;quot;Em\u00edlia Ferreira&amp;quot;,&amp;quot;item_id&amp;quot;:&amp;quot;1052987942&amp;quot;,&amp;quot;type_id&amp;quot;:&amp;quot;22&amp;quot;,&amp;quot;assoc_obj_id&amp;quot;:&amp;quot;&amp;quot;,&amp;quot;check_hash&amp;quot;:&amp;quot;f66d32e6e24d378d&amp;quot;,&amp;quot;num_comments&amp;quot;:&amp;quot;0&amp;quot;,&amp;quot;extra_story_params&amp;quot;:[],&amp;quot;source_app_id&amp;quot;:&amp;quot;&amp;quot;,&amp;quot;extra_data&amp;quot;:[]}"&gt;&lt;form method="POST" action="http://www.facebook.com/" name="add_comment" id="add_comment" class="add_comment hidden_add_button collapsed_comments" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; "&gt;&lt;span class="UIActionLinks UIActionLinks_bottom UIIntentionalStory_Info" style="color: rgb(153, 153, 153); clear: left; margin-top: 3px; min-height: 16px; display: block; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-size:100%;color:#333333;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;Por isso, aqui fica o último fôlego da minha campanha em último dia: também não quero o Santana Lopes na Câmara de Lisboa. Lisboa já tem desgraças suficientes.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/form&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-7593920983438409882?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/7593920983438409882/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/10/santana-lopes-nao-cessa-de-nos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/7593920983438409882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/7593920983438409882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/10/santana-lopes-nao-cessa-de-nos.html' title=''/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-6556118689577869161</id><published>2009-07-02T15:52:00.003+01:00</published><updated>2009-07-02T16:07:17.635+01:00</updated><title type='text'>IADE, 40 anos</title><content type='html'>Diz-se que é aos 40 anos que se começa a viver. Talvez por ser uma idade de maior consciência. De mais dilatada e fecunda ambição. Mas, também por isso, de maior responsabilidade.&lt;br /&gt;O IADE faz 40 anos. E deveríamos dar-lhe os parabéns pelo bom trabalho feito. Uma coisa, porém, tinha de vir estragar a festa.&lt;br /&gt;No vídeo comemorativo destas 4 décadas de actividade, há frases estranhas: "IADE'S criar", "IADE'S imaginar". Etc. Confesso que, quando vi, fiquei com um ponto de interrogação em cima da cabeça. As frases não faziam qualquer sentido para mim e fiquei sobretudo perplexa com o papel do apóstrofo + s, tão british e tão inexistente em português.&lt;br /&gt;"O que é que aquilo quer dizer? Que frases são estas?", perguntei eu a uma colega que estava a assistir à mesma projecção. E foi com um calafrio na espinha que a ouvi responder, sorrindo: "Então: é como quem diz "e hádes criar", "e hádes imaginar""...&lt;br /&gt;Mais rápida que Orfeu, cai no Hades e de lá voltei a correr. Há-des??? Hádes??? Como forma verbal? Em brincadeira fonética num vídeo de uma escola criada pelo António Quadros?!!!&lt;br /&gt;Isto é uma piada? A estupidez e a ignorância agora são graçola? Cumplicidade imbecil?&lt;br /&gt;Depois, fui ao site da escola. Saí de lá novamente em choque. O português é mal tratado em várias linhas, em várias informações, estruturalmente desmerecido.&lt;br /&gt;Como é possível?!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-6556118689577869161?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/6556118689577869161/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/07/iade-40-anos.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/6556118689577869161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/6556118689577869161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/07/iade-40-anos.html' title='IADE, 40 anos'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-2495416258361493547</id><published>2009-07-01T22:53:00.004+01:00</published><updated>2009-07-01T23:05:21.649+01:00</updated><title type='text'>O Descaramento</title><content type='html'>Em "Portugal Hoje, o Medo de Existir", José Gil falava de um fenómeno que muito nos devia afligir: o descaramento. O descaramento é, literalmente, o "não ter cara". Aquilo que tanto aflige tradicionalmente os orientais (perder a face), é coisa de somenos para muitos de nós. Esse fenómeno que, com frequência (se não sempre), roça a falta de carácter está tristemente disseminado entre nós. E grassa, sem graça nenhuma, na classe política. Um dos mais caricatos exemplos é Santana Lopes. Depois de todos os desaires, de todas as aleivosias, volta, com o maior descaramento, a candidatar-se à Câmara Municipal de Lisboa. E vem, ainda por cima, de túnel à tiracolo. Como se Lisboa ainda precisasse de mais buracos! Do que Lisboa precisa é de gente! De gente que a ame, a renove, a recrie. Não, seguramente, de um político sem projecto, apoiado por líderes que fingem uma conveniente amnésia e tentam agora convencer-nos de que o que o actual candidato fez no outro mandato foi maravilhoso, espantoso, fantástico. &lt;div&gt;O que mais irrita nesta política descarada é a facilidade com que fazem de nós parvos. Espero que depois das eleições não nos provem que têm razão: de que somos mesmo parvos e voltamos a dar a outra face. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quantas faces precisará Lisboa de dar até se arruinar por completo?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-2495416258361493547?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/2495416258361493547/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/07/o-descaramento.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/2495416258361493547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/2495416258361493547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/07/o-descaramento.html' title='O Descaramento'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-6794513138255982965</id><published>2009-06-30T01:05:00.004+01:00</published><updated>2009-06-30T01:18:18.445+01:00</updated><title type='text'>E a língua portuguesa, Senhor?</title><content type='html'>&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 6.0px Helvetica"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 6.0px Helvetica"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 10px; "&gt;"Faz hoje 4 Anos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 10.0px Helvetica"&gt;Tem dias que parece que o tempo se emaranhou nas coisas e nas pessoas.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 10.0px Helvetica"&gt;Tem outros dias em que tudo parece ter ocorrido ontem.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 10.0px Helvetica"&gt;Contudo há algo que o tempo tem os limites certos:&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 10.0px Helvetica"&gt;- Foram quatro anos bons de amizade, de solidariedade e de prazer de poder contar com o vosso&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 10.0px Helvetica"&gt;profissionalisno e apoio.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 10.0px Helvetica"&gt;Em nome da Direcção o nosso muito obrigado."&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 10.0px Helvetica"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 10.0px Helvetica"&gt;Margarida Moreira&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 10.0px Helvetica"&gt;[Directora da DREN]&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 10.0px Helvetica"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 10.0px Helvetica"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 10.0px Helvetica"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial;"&gt;Enfim: já muita gente riu com estas palavras. Eu não consigo. A impunidade com que alguém, com responsabilidades na Educação, se dá ao luxo de não só pensar mal como de o demonstrar com tanta evidência, na sua língua natal, causa-me náuseas. Porque é que um palavrão cabeludo há-de ser mal visto e esta pouca vergonha há-de ser aceite? Uma última pergunta: como é que se nomeia gente desta? Se calhar, antes de ser nomeada, esteve sempre de boquinha fechada, não? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 10.0px Helvetica"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-6794513138255982965?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/6794513138255982965/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/06/e-lingua-portuguesa-senhor.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/6794513138255982965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/6794513138255982965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/06/e-lingua-portuguesa-senhor.html' title='E a língua portuguesa, Senhor?'/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4171848125544088680.post-3691934011425637695</id><published>2009-04-26T20:31:00.000+01:00</published><updated>2009-04-27T13:45:44.854+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;"Em resumo: ninguém sabia a quantas andava. Os relógios não marcavam as horas, os minutos e os segundos, mas os séculos. Os governantes, os professores e o escol intelectual, cuidadosamente escolhidos entre as pessoas mais insignificantes da Cidade, pugnavam com denodo pela mumificação do Disparate de pernas para o ar. E ai daquele que não pronunciasse pelo menos dez asneiras por minuto. Ou não sujasse as grandes descobertas e empresas humanas (como a energia atómica ou os satélites, por exemplo) com teorias imbecis de amesquinhamento reles. Considerados moralmente mortos, os colegas tratavam logo de excluí-los, sem relutância nem remorsos, das respectivas academias e universidades. &lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;Esta estupidez, preceituada como uma das mais galhardas manifestações da alma da raça, cultivava-se desde a infância, com esmeros maternais. As escolas, onde os mestres se seleccionavam não pela ciência demonstrada mas pela maneira de trajar e de fazer o nó da gravata, incumbiam-se de torcer os meninos até à incapacidade perfeita. Ensinavam-lhes de propósito coisas sem significado, palavras vazias, matérias inoperantes, ideias cadavéricas, sempre com mais de duzentos anos, pelo menos, e que, conservadas em álcool, graças ao seu desuso em cabeças vivas serviam para simulações de sistemas geniais recentes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;Também se chamavam ursos aos raros estudiosos. E, por severa determinação legal, só os incompetentes comprovados, com mais de 80% de erros ortográficos nas provas escritas e total inépcia para acertar nas contas de dividir, podiam ocupar os cargos cimeiros da Cidade da Confusão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;Por isso, ouviam-se com frequência frases elogiosas desta género: «Fulano é um idiota chapado! Está apto a solucionar todos os problemas, sobretudo os insolúveis! O Poeta Tal é um imbecil de génio!»Etc., etc.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;No meio desta trapalhada, em que tudo parecia desengonçar-se e fazer o pino, o pobre João Sem Medo esforçava-se por se manter imune ao contágio, repugnando-lhe aderir à lógica absurda de certos hábitos e cerimónias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;Assim, por exemplo: porque é que os confusionistas se sentavam sempre de costas voltadas para o palco a aplaudirem-se a si mesmos com delírio? Porque se reuniam em &lt;/span&gt;cabarets&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt; fúnebres para chorar em conjunto, ao passo que riam e contavam anedotas nos velórios dos enterros? Porque mandavam para os museus os quadros maus? Porque frequentavam as praias de casaca e colarinhos de goma (consoante prescrevia a lei), enquanto as mulheres passeavam pelas ruas com vestidos de noite e iam aos bailes de fato de banho? Porquê, quando os orfeões se alinhavam nos estrados, quem cantava era o público? Finalmente, porque é que os músicos das orquestras sinfónicas se instalavam nos palcos para escutarem com atenção religiosa os concertos de tosse dos espectadores, todos formados no Conservatório Nacional das Constipações Estéticas e Bronquites de Arte Aplicada?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;As respostas a estas perguntas afiguravam-se tão precárias a João Sem Medo que, certa manhã, receoso de ficar com a cabeça do avesso, decidiu meter-se no primeiro comboio (mesmo com asas) e safar-se da Cidade da Confusão."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;In FERREIRA, José Gomes — &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;As Aventuras de João Sem Medo: Panfleto Mágico em Forma de Romance.&lt;/span&gt; Lisboa: Diabril Editora, 1973, p, 96-98.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Meu Hipericão pretende ser um blog para partilha de figadeiras. Ir buscar elementos de consolo, nas figadeiras alheias, às Farpas ou aos Gatos, com mais de cem anos, já começa a ser de mais. Então, lembrei-me de recordar aqui o José Gomes Ferreira que escreveu e publicou a primeira versão desta estória em 1933, e a publicou em livro, pela primeira vez, em 1963, com reedição em 1973.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;À parte alguns pormenores, penso que este romance continua dolorosamente actual. O que talvez nos devesse fazer pensar que mudar os governos não basta. Talvez porque já desde o tempo dos romanos se sabia que havia na Península [Ibérica] um povo que "nem se governava, nem se deixava governar". [Sim, éramos nós.]. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não é motivo de orgulho a persistência no erro. Se calhar, estaria na altura de pensarmos por nós, individualmente. Responsavelmente. Trinta e cinco anos depois do 25 de Abril falta cumprir-se Portugal. Falta lembrar que, para maior liberdade, maior responsabilidade. Porque de resto continua a estar muito actual também a realista frase do Almada. "Coragem, Portugueses: Só vos faltam as qualidades!"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas, à parte as figadeiras, tal como João Sem Medo, tenho um sonho: que este país deixe de ser território de choraquelogobebenses. Que deixemos de fazer as coisas ao contrário e esperemos que a lógica nos caia em cima por benesse divina. Ou mero acaso. O que vai dar ao mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há por aí mais alguém que partilhe este sonho?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4171848125544088680-3691934011425637695?l=omeuhipericao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/feeds/3691934011425637695/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/04/em-resumo-ninguem-sabia-quantas-andava.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/3691934011425637695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4171848125544088680/posts/default/3691934011425637695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omeuhipericao.blogspot.com/2009/04/em-resumo-ninguem-sabia-quantas-andava.html' title=''/><author><name>Emília Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08413104355295534729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry></feed>
